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Política

Para ajudar a Europa

É preciso ampliar discussão da crise

por Redação Carta Capital — publicado 23/09/2011 09h04, última modificação 23/09/2011 11h02
Brasil socorrerá Grécia depois que países emergentes e nações desenvolvidas chegarem num consenso sobre medidas

Por Carina Dourado*

O Brasil só participará de um eventual socorro à Grécia depois que os países emergentes e as nações desenvolvidas chegarem a um consenso sobre que medidas serão adotadas para resolver a crise econômica na Europa, disse nesta quinta-feira 22 a presidenta Dilma Rousseff. Em Nova York, onde concedeu uma entrevista coletiva, ela defendeu uma saída política para o problema antes da injeção direta de recursos financeiros no fundo de estabilização da zona do euro.

Para a presidenta, o Brasil pode usar parte das reservas internacionais para ajudar os países europeus com problemas de endividamento público. No entanto, a prioridade do governo brasileiro consiste na saída política. “Nunca nos recusamos no passado a participar com recursos financeiros. Neste momento, estamos dispostos a participar com recursos políticos”, declarou.

Dilma disse não acreditar que a saída para a Grécia consista apenas em obrigar o país a cortar gastos, como o governo grego fez recentemente com o funcionalismo público e as aposentadorias. Segundo ela, o correto é criar uma linha de financiamento para o país, que pode reduzir o endividamento, e promover uma discussão internacional sobre como resolver a crise na zona europeia.

De acordo com a presidenta, o Brasil participará de esforços coordenados, mas somente depois de definido o papel do país e das nações emergentes na ajuda. “Não é esse o problema [pôr dinheiro das reservas internacionais no fundo de estabilização]. Faremos qualquer medida que o mundo reparta entre si, desde que fique claro qual é caminho que querem adotar”, explicou.

A presidenta disse ainda que uma das responsabilidades dos países emergentes é garantir o crescimento econômico global. “Não podemos pregar receituário para o mundo, mas queremos participar. Uma das nossas responsabilidades [dos países emergentes] é garantir que a economia internacional não tenha um nível de crescimento muito baixo. Somos os segmentos que seguram o crescimento internacional e queremos participar da solução.”

Dilma também declarou que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, está monitorando as condições econômicas do Brasil e do exterior. Ela assegurou que o governo não tomará nenhuma medida “inusual” para manter a estabilidade da economia brasileira, mas não explicou qual será a orientação a ser seguida caso os efeitos da crise econômica externa tenham reflexos no Brasil.

*Matéria publicada originalmente na Agência Brasil

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