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'É para o governador'

por Redação Carta Capital — publicado 28/04/2012 11h50, última modificação 29/04/2012 12h51
Diálogo interceptado pela PF mostra que Cachoeira mandou auxiliar entregar dinheiro a governador tucano

O cerco está fechado sobre o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). No mês passado, CartaCapital mostrou como o contraventor Carlinhos Cachoeira, preso e investigado pela Polícia Federal, influía na escolha de assessores para atuar como seus “olheiros” dentro do governo tucano.

Dois servidores já deixaram o cargo desde as revelações, entre eles a ex-chefe de gabinete.

Nos últimos dias, a publicação de diálogos interceptados pela PF detalha como eram próximas as relações entre eles. Uma dessas conversas, publicadas na edição de sábado 28 da Folha de S.Paulo, mostra Cachoeira orientando um de seus operadores, o ex-vereador Wladimir Garcez, a entregar dinheiro a um assessor do governador. A conversa foi interceptada em julho de 2011.

"É pro governador", disse Cachoeira a Garcez. "Vamos lá pagar logo pra ele no palácio lá. Chega lá, paga pro Jayme. Já manda ele levar o dinheiro, já entrega a chave aí pra ele, depois tira os trem que tem que tirar aqui."

Segundo o jornal, Jayme Rincon é um dos principais auxiliares de Perillo no governo de Goiás e preside a Agência Goiânia de Transporte e Obras Públicas. Nas eleições, ele foi um dos responsáveis pela arrecadação de recursos para a campanha do tucano.

Na véspera da publicação, outra suspeita foi levantada pelo jornal O Globo. A reportagem reproduziu uma conversa, gravada pela PF em março do ano passado, em que o bicheiro reivindica recursos a um auxiliar de Perillo para um de seus veículos de comunicação. Como justificativa, lembra que ele lutou para colocar “Marconi lá” (no governo).

Segundo a reportagem, a gravação da PF foi feita em 2 de março e mostra uma conversa entre Cachoeira e Edivaldo Cardoso, ex-presidente do Detran de Goiás. Os dois conversam sobre uma verba de 1,6 milhão de reais que o Detran usaria para fazer publicidade em veículos de comunicação. Cachoeira se irrita ao descobrir que um jornal de oposição a Perillo, de Anápolis, cidade no interior do Estado, receberia mais que o Canal 5 de Anápolis. O dono do Canal 5 e do jornal O Estado de Goiás é Carlos Nogueira, o Butina, um laranja de Cachoeira de acordo com a PF.

As relações do bicheiro com o mundo policio serão alvo da CPMI do Cachoeira, recém-instalada por deputados e senadores. As revelações devem mostrar como o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) usou o cargo para atuar como “sócio oculto” de Cachoeira e as empresas ligadas a ele.

Ainda no mês passado, CartaCapital mostrou que, em troca da  atuação, Demóstenes tinha direito a uma parte do dinheiro arrecadado pelo esquema de Cachoeira.

Na sexta-feira 27, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse que Demóstenes recebeu 3,1 milhões de reais do esquema.