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E Dilma toma posse

por Redação Carta Capital — publicado 08/06/2011 11h06, última modificação 10/06/2011 14h13
Ao demitir Palocci e nomear Gleisi Hoffmann, a presidenta parece disposta a retomar a iniciativa política e imprimir sua marca em Brasília
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Dilma estaria mais disposta a dividir o poder com o PMDB de Michel Temer? Foto: Evaristo/AFP

Por Cynara Menezes e Leandro Fortes

Não foi do jeito sonhado e custou a queima de considerável capital político, mas a demissão de Antonio Palocci da Casa Civil na terça-feira 7 parece marcar o início, de fato, do governo de Dilma Rousseff. Após ficar na defensiva no início da crise provocada pela revelação do extraordinário enriquecimento do ministro, a presidenta retomou a iniciativa política nos últimos dias: rendeu-se à necessidade de estreitar o contato com as lideranças da base aliada e fez uma escolha pessoal e intransferível para o lugar de Palocci. A senadora paranaense Gleisi Hoffmann, estreante na vida parlamentar de Brasília, não carrega “passivos” e tornara-se o grande destaque da bancada petista no Congresso nestes primeiros meses de mandato. Mulher do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, foi escalada para ser a “Dilma da Dilma”, gestora dos principais projetos do Executivo e mediadora dos conflitos entre os colegas da Esplanada.

A presidenta parece também ter entendido outro ponto. Ela precisa se tornar o Lula de si própria. Explica-se: é interesse o rigor técnico com que Dilma quer marcar sua gestão, mas a Presidência é, antes de tudo, um cargo político, na acepção grandiosa e ao mesmo tempo comezinha do termo. Implica ouvir os aliados, compartilhar, de forma efetiva ou teatral, o exercício de poder e estabelecer algum tipo de contato, pois, às vezes, na hora de votar um projeto, o simples aperto de mão tem mais efeito que o apelo à consciência cívica e republicana dos congressistas. Também é preciso entender onde realmente se localiza a sua base de apoio, no Congresso e na sociedade. Nos primeiros cinco meses, Dilma tentou manter distância do varejo parlamentar e terceirizou o comando da articulação para Palocci. Deu ainda sinais de ter se seduzido por elogios cujo principal objetivo era indispô-la com Lula e desconstruir o governo do antecessor. A crise Palocci teve o condão de derrubar as máscaras dos recém-convertidos ao “dilmismo”, como acentua o sociólogo Marcos Coimbra, diretor do Vox Populi, à página 27.

De todos os lances da última semana, o mais surpreendente foi a nomeação de Gleisi Hoffmann. Nenhum petista no Congresso soube da escolha por antecipação e vários deles mantinham até a última hora a impressão de que Palocci poderia permanecer no cargo, embora a decisão de defenestrá-lo tenha sido tomada no fim de semana imediatamente posterior às suas nada convincentes entrevistas ao Jornal Nacional, da Rede Globo, e à Folha de S.Paulo. Na segunda-feira 6, a senadora foi chamada duas vezes ao Palácio do Planalto pelo secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho. Sondada, deixou claro que toparia. No dia seguinte, por volta das 3 da tarde, encontrou-se com Dilma e foi convidada formalmente. Saiu do Planalto ministra. “Não tem nem o que pensar. Não tem como rejeitar”, afirmou aos assessores após a reunião com a presidenta.

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