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E agora, o PT de Minas vai de Hélio?

por Celso Marcondes — publicado 08/06/2010 15h46, última modificação 17/08/2010 15h47
Fechado o acordo polêmico, fica a expectativa sobre os próximos lances

Fechado o acordo polêmico, fica a expectativa sobre os próximos lances.

O acordo PT /PMDB para a sucessão mineira repercute de forma um tanto surpreendente. Há pouco mais de um mês, quando a convenção do PT de Minas terminou com a vitória apertada do grupo do ex-prefeito de BH Fernando Pimentel sobre o comandado pelo ex-ministro Patrus Ananias, dava-se de barato que a decisão de ontem já estaria sacramentada. Dizia-se que Ananias defendia a candidatura petista e que o ex-prefeito se alinhava com o presidente Lula e a direção nacional do partido no apoio ao acordo com o PMDB. Por que então tanto alarde agora?

Um dos acontecimentos que pode ajudar a explicar o fenômeno foi o crescimento, dentro do PT de Minas, da ideia de que um candidato petista teria mais chances de vencer o pleito. Hélio Costa, por experiências em eleições passadas - perdeu em 1990 e 1994 para governador -, é tido como concorrente bom de largada, mas ruim de chegada. Mais que isso, ele nunca foi muito palatável para parte do eleitorado mineiro, digamos, mais progressista.

Pesquisa do instituto Sensus divulgada na semana passada colocou lenha nessa fogueira. Numa das simulações, Costa para governador atingia 31,1 % das intenções de voto e na outra, com Pimentel em seu lugar, o petista chegava a 27,7%, ambos batendo o candidato de Aécio Neves, Antonio Anastasia, que alcançava 20,5% se confrontado com Costa e 21,4% se o adversário fosse Pimentel.

Ou seja, Costa e Pimentel mantinham uma posição muito semelhante, o suficiente para o PT mineiro reforçar sua tese: apoiado pela sua militância nas ruas, o ex-prefeito teria muito mais chances de crescer que o aliado peemedebista, pois este, na visão dos dirigentes petistas locais, não arrastará nenhum dos seus filiados para uma campanha dificílima.

Porém, prevaleceu na decisão a estratégia do comando nacional petista: a meta é eleger Dilma Rousseff presidente, governador petista que vier junto com o pacote é lucro suplementar. Vão os anéis, ficam os dedos.

O PMDB, que de bobo não tem nada, bateu o pé e antes da realização de sua convenção nacional do próximo sábado que sacramentaria Michel Temer como vice de Dilma exigiu como contrapartida o acordo em Minas, com Costa na cabeça.

Os petistas mineiros jogavam com o tempo: acreditavam que Dilma poderia logo deixar Serra para trás nas pesquisas, de tal jeito que para os peemedebistas já ficaria de bom tamanho emplacar Temer na vice-presidência. Mas, nas pesquisas, Dilma, não subiu como eles desejavam.

Agora, falta completar a chapa. Pimentel sairá para senador, com boas chances de ser eleito para a segunda vaga - pois a primeira, ninguém discute, já está garantida para Aécio.

Mas quem será o vice de Costa? O nome mais cotado é o de Patrus Ananias, exatamente quem primeiro defendeu a tese da candidatura própria. Ele resistirá a um convite-intimação do presidente Lula ou declinará da honraria?

Se disser não, outro petista, talvez o deputado Virgílio Guimarães, será convocado para assumir, pois sem esse complemento ficará, a priori, garantida a tese segundo a qual a presumida militância petista aguerrida e combativa preferirá o aconchego do lar que a mobilização nas ruas.

Também fica em suspenso outra definição de Fernando Pimentel, seu papel daqui para frente na coordenação nacional da campanha de Dilma. Tem se falado que, por conta da recente história do “suposto dossiê contra Serra que na verdade é um livro que ainda está no forno”, o ex-prefeito tenha perdido poder para o núcleo paulista da coordenação. É provável, mas o acordo com o PMDB em Minas nada teve a ver com este episódio.

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