Você está aqui: Página Inicial / Política / Doria recebe doação de financiador de cartazes anti-PT na Copa de 2014

Política

Eleições 2016

Doria recebe doação de financiador de cartazes anti-PT na Copa de 2014

por Nivaldo Souza — publicado 28/09/2016 09h37, última modificação 28/09/2016 11h05
Empresário Renato Feder, que mantém site com ranking de políticos "melhores e piores", já é o maior doador do tucano
Divulgação
Doria

Eleito no 1º turno, o tucano João Doria recebeu 11 mil votos a menos que o 'não voto' (Facebook)

O empresário Renator Feder, um dos donos da empresa de informática Multilaser, se converteu no maior doador pessoa física da campanha de João Doria à prefeitura de São Paulo. Ele repassou 120 mil reais à candidatura do tucano no dia 20 de setembro. O apoio só perde para o próprio Doria, cujo autofinanciamento atingiu 2,93 milhões. A direção nacional do PSDB repassou 1,5 milhão ao seu candidato.

Em 2014, Feder se envolveu indiretamente no polêmico xingamento coletivo à então presidente Dilma Rousseff durante a abertura da Copa do Mundo de 2014, que ganhou as manchetes da imprensa internacional.

A Multilaser pagou pela confecção de 20 mil cartazes anti-PT, distribuídos no estádio do Corinthians, na zona leste de São Paulo, com dizeres como “Na hora do Hino Nacional abra este cartaz e mostre para todos que está na hora do Brasil vencer de verdade”, “Fora incomPTtentes” e “Fora corruPTos”.

A ação acabou numa vaia que repercutiu fora do País, gerando questionamentos sobre componentes de misoginia no comportamento da torcida. “Os fãs no estádio gritavam o nome da presidente com um palavrão”, registrou o jornal americano Washington Post.

Caso de polícia

O patrocínio da Multilaser acabou virando caso de polícia investigado pelo Ministério Público Federal. A empresa mantinha contratos com a União e o governo de São Paulo. Feder e seu sócio, Alexandre Ostrowiecki, negaram ter dado ordem para o custeio dos cartazes. A Intergraf, contudo, informou ao MPF ter recebido R$ 15 mil para produzir os cartazes.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, na ocasião, os proprietários da Multilaser afirmaram que não tinham qualquer vinculação partidária e negaram terem feito doações de campanha.

Panfleto anti-Dilma
Cartaz anti-Dilma distribuído na abertura da Copa do Mundo de 2014 (Foto: Otavio Maia / Esporte Final)

Feder e Ostrowiecki são criadores do site Ranking dos Políticos, plataforma que se dispõe a classificar os “legisladores do melhor para o pior” e estimular o eleitor a "consertar os problemas brasileiros".

No seu site, os empresários afirmam não ser "filiados a nenhum partido político ou grupo de interesse.”

Feder, contudo, agora é responsável por 2% do total de 5,87 milhões de reais arrecadados por João Doria na disputa pela prefeitura paulistana. O empresário doou outros 3 mil ao prefeito em reeleição na cidade de Tietê, no interior paulista, Manoel David (PSD).

Em resposta a CartaCapital, Renato Feder reafirmou, por meio de sua assessoria, que não tem ligação com nenhum partido. Ele assegura que nunca havia feito doação de campanha, mas que decidiu repassar 120 mil reais a João Doria depois de conhecer o candidato e suas propostas.

“Essa doação é particular e não tem nada a ver com a Multilaser”, diz, ressaltando que a doação é de cunho pessoal conforme prevê a proibição do Supremo Tribunal Federal (STF) a contribuições de empresas. 

Feder também afirma que sua empresa não mantém contrato com a prefeitura de São Paulo, informando que a última venda ao Executivo paulistano ocorreu em 2014 no valor de 850 reais. Ele diz, ainda, que não manteve contrato de fornecimento de suprimentos de informática para o governo do estado nos últimos três anos. "A Multilaser tem seu foco total em vendas para varejo, sendo que negócios com governo são praticamente irrelevantes", afirma.