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Copa 2014

Dois lances e uma sugestão

por Socrates — publicado 07/08/2010 12h00, última modificação 16/09/2010 15h59
O ideal seria centralizar o investimento e o jogo de abertura no Rio de Janeiro, já que a Olimpíada também vai ser lá. Dessa forma, os desvios e o desperdício seriam menores
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Abertura no Maracanã (projeto para a Copa de 2014 àcima) evitaria gastos na reforma ou construção de outras arenas

O ideal seria centralizar o investimento e o jogo de abertura no Rio de Janeiro, já que a Olimpíada também vai ser lá. Dessa forma, os desvios e o desperdício seriam menores

Lance número 1: em 25 de maio de 2010, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, teria dito a Ricardo Teixeira, em encontro no dia anterior em Miami, que a Fifa vetaria o projeto de estádio “de uma grande cidade-sede”, no anúncio de escolha das cidades, “porque o projeto não está à altura de uma Copa do Mundo”.

Segundo tudo indicava, o projeto eliminado pela Fifa seria o do estádio do Morumbi, em São Paulo. Arquitetos envolvidos nos projetos de arena para a Copa 2014 comentaram que o Morumbi havia desagradado aos representantes da Fifa, em sua visita ao estádio, em janeiro passado. A dificuldade de acesso e estacionamento foi o item apontado como o principal ponto fracos.

Ruy Ohtake, arquiteto responsável pela reforma do Morumbi, afirmava que o estádio do São Paulo Futebol Clube estava praticamente garantido na Copa 2014. “A prefeitura assinou um documento com o governo do estado, dirigido à Fifa, confirmando o Morumbi como o estádio que representa a cidade de São Paulo na Copa”, disse Ohtake. Para o arquiteto, a inauguração em 2012 da estação de metrô São Paulo-Morumbi, distante 1,2 quilômetro do estádio, e a construção de um estacionamento com 3,2 mil vagas em frente ao complexo esportivo qualificariam o Morumbi para receber não apenas jogos da competição, mas também a abertura da Copa 2014.

Lance número 2: o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, manteve a linha já adotada em pronunciamentos anteriores e reforçou o desejo de que o Morumbi seja a sede paulista na Copa de 2014. O Pacaembu, apesar das limitações, voltou a ser apresentado como uma segunda opção em caso de veto da Fifa.

“O nosso esforço será no sentido de ainda fazer uma proposta à Fifa sobre o Morumbi. O Pacaembu é uma alternativa”, disse o prefeito, durante a inauguração da pista de atletismo do Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa (COTP), na cidade de São Paulo, em julho. Em determinado momento, Kassab reuniu-se com Alberto Goldman, governador de São Paulo, e Ricardo Teixeira, presidente da CBF e do Comitê Organizador Local (COL). Apesar das promessas de definição, o encontro manteve o clima de suspense quanto ao papel que a capital paulista desempenhará na Copa do Mundo.

“Ricardo Teixeira pediu que nos esforçássemos para que a abertura aconteça aqui”, disse Kassab, quando questionado sobre os assuntos tratados na reunião. “O governador Goldman está analisando a questão para que possamos encontrar uma maneira”, completou. Kassab ainda elogiou a postura do presidente da CBF quanto à sede paulistana para o Mundial de 2014. “O Ricardo Teixeira tem sido corretíssimo na sua relação com a cidade de São Paulo”, enfatizou.

O Morumbi, candidato inicial a sede da Copa do Mundo, foi vetado pelo COL por não ter apresentado garantias financeiras para a execução de seu projeto mais caro. O plano que estabelecia gastos de mais de 600 milhões de reais e previa, entre outras coisas, o rebaixamento do gramado, foi substituído por um antigo, ainda na casa dos 200 milhões.

O plano mais barato, no entanto, não dá ao estádio são-paulino credenciais para uma briga pela abertura da Copa. A primeira alternativa foi a construção de uma nova arena em Pirituba, descartada pelo poder público pelo gasto neces-sário e pela falta de tempo hábil para a sua execução.

O Pacaembu surgiu então como terceira alternativa. O problema é que o estádio público tem sua arquitetura tombada e comporta, hoje, apenas 38 mil torcedores, número insuficiente para a abertura. Uma reforma de 500 milhões de reais poderia, porém, aumentar esse número para 65 mil, tornando viável o projeto.

Abertura no Rio de Janeiro

Tendo em vista o que deve ocorrer na administração dos recursos públicos alocados para viabilizar os dois megaeventos que se aproximam e as dissimulações de algumas fontes que compõem esse caleidoscópio narrado acima, gostaria de expor aqui a minha opinião sobre o assunto.

Acredito que a discussão sobre o jogo de abertura deveria passar ao largo das rivalidades regionais para que possamos pensá-la com coerência e lógica. O investimento para a cidade do jogo de abertura é maior do que para as outras sedes, devido ao centro de imprensa, logística etc. Penso que o ideal seria centralizar esse investimento e o jogo de abertura no Rio de Janeiro, já que a Olimpíada vai ser realizada lá apenas dois anos depois e já teríamos a estrutura pronta. Assim os desvios e o desperdício seriam menores.

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