Você está aqui: Página Inicial / Política / Documentos podem desvendar história sobre deputado desaparecido

Política

Memória da Ditadura

Documentos podem desvendar história sobre deputado desaparecido

por Redação Carta Capital — publicado 27/11/2012 15h43, última modificação 27/11/2012 17h06
Comissão da Verdade recebe arquivos de ex-coronel sobre destino de Rubens Paiva e atentado no Riocentro
Rubens Paiva

Na casa do ex-militar assassinado foram encontrados documentos referentes ao desaparecimento do ex-deputado Rubens Paiva (foto). Foto: Renato Araújo/ABr

O governo gaúcho entregou nesta terça-feira 27 documentos à Comissão Nacional da Verdade que podem elucidar episódios como o desaparecimento do deputado Rubens Paiva, em 1971, e o atentado ao Riocentro, em 1981, ambos ocorridos durante a ditadura militar brasileira.

Os arquivos, há cerca de 20 dias guardados com a chefia de Polícia do RS, foram encontrados na casa do coronel aposentado do Exército Júlio Miguel Molinas Dias, de 78 anos. O militar foi morto no dia 1º de novembro, em frente de casa, no bairro Chácara das Pedras, em Porto Alegre. Segundo investigações da polícia, tratou-se de uma tentativa de roubo à residência.

Quando as investigações foram iniciadas, duas filhas do coronel – viúvo e que morava sozinho – entregaram à polícia uma caixa com documentos que julgaram importantes. Entre os informes militares e manuscritos, dois chamaram a atenção.

Um deles é uma espécie de “minutário”, escrito de próprio punho, no qual registra todo o desenrolar do atentado ao Riocentro, minutos após a bomba ser detonada. Na ocasião, Molina era comandante do Destacamento de Operações de Informações - Centro de operações de Defesa Interna (DOI-Codi) do Rio de Janeiro.

Outro é uma relação de objetos pessoais que foram apreendidos pelos militares no momento em que o deputado Rubens Paiva ingressou em um quartel no Rio, em 1971. Isso comprovaria que o deputado, de fato, ingressou nas instalações militares, algo até hoje negado pelo Exército.

Conforme a versão vigente, Paiva foi procurado em casa por uma equipe da repressão, mas lhe foi permitido acompanhar os militares até um quartel dirigindo seu próprio carro. Durante o trajeto, o veículo teria sido interceptado e Paiva, nunca mais visto.

Os papéis encontrados agora mostram a relação de objetos, como documentos, cinto, paletó e livros que os militares confiscaram no ingresso de Paiva às suas dependências.

“Certamente tem muitos arquivos guardados em gavetas. Por isso citamos as pessoas a entregarem, colaborem com a reconstrução da verdade”, avalia o coordenador da Comissão Nacional da Verdade, Cláudio Fonteles.

Para ele, milhares de documentos de extrema importância e que revelam os bastidores da ditadura militar no Brasil pousam em gavetas de residências e escritórios particulares de membros das forças armadas e das polícias.  “Se um neto, por exemplo, sabe que em sua casa tem alguém [que guarda arquivos que podem contribuir com a história], entregue esses documentos. Não precisa se identificar”, pede o coordenador.