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Política

Cartel do Metrô

Dinheiro desviado da Siemens pode ter pago propinas, diz executivo

por Redação — publicado 04/12/2013 11h19, última modificação 05/12/2013 06h47
Segundo reportagem, a suspeita foi levantada por um diretor da empresa alemã durante depoimento à Polícia Federal
Blog do Milton Jung / Flickr / Creative Commons
Metrô

Segundo reportagem, a suspeita foi levantada por um diretor da empresa alemã durante depoimento à Polícia Federal

Em depoimento à Polícia Federal, um alto executivo da Siemens da Alemanha disse desconfiar que parte dos 7 milhões de dólares desviados pela filial brasileira tenha sido usada para pagamento de propina a agentes públicos brasileiros. A declaração foi revelada nesta quarta-feira 4 pelo jornal O Estado de S.Paulo.

Segundo a reportagem, Mark Gough, vice-chefe do setor de compliance, setor que disciplina regras internas de conduta da empresa, depôs à PF em 6 de novembro. Foi a primeira vez que a Siemens, autora da denúncia sobre o cartel no sistema metroferroviário de São Paulo e do Distrito Federal, fala em pagamento de propina. A matriz da companhia acusa o ex-presidente da Siemens no Brasil, Adilson Primo, de desviar os recursos.

No depoimento, ele forneceu detalhes sobre as investigações feitas pela Siemens. Relatou, por exemplo, que a Justiça da Suíça informou que parte dos recursos da conta de Primo foi parar em contas de um funcionário da reserva da Marinha e de doleiros presos durante a investigação do caso Banestado, quando 30 bilhões de dólares de empresários brasileiros foram depositados em contas no exterior nos anos 1990 por meio do antigo paranaense.

Sempre de acordo com a reportagem, Gough afirmou que as transferências para uma conta bancária no paraíso fiscal de Luxemburgo foram "feitas sob as instruções e a mando de Adilson Primo".

Após uma investigação sobre o caso na Procuradoria de Luxemburgo, em meados de 2011, constatou-se que os ativos foram transferidos para offshores em paraísos fiscais. Uma parte "foi rapidamente aplicada em investimentos aparentemente legítimos, de curto prazo, em outros países, (...) em grandes bancos conhecidos em fundos de investimentos ou ações de empresas para que se pudesse lucrar com os juros".

Segundo o Estadão, a Justiça da Suíça informou que valores foram transferidos para três contas de brasileiros, uma delas de Marcos Honaiser, oficial reformado da Marinha, que também foi membro da Comissão Nacional de Energia Nuclear. As outras duas contas são de escritórios dos doleiros Antonio Pires de Almeida e Ana Lucia Pires de Almeida, ambos falecidos, Paulo Pires de Almeida, Raul Henrique Srour e Richard Andrew Van Oterloo.