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Combate ao crime

Dinheiro de Abadia bancou “reforço” da PF em São Paulo

por Redação Carta Capital — publicado 01/06/2011 14h16, última modificação 01/06/2011 18h30
Homenageado por determinar o repasse de 1,6 milhão de reais à corporação, após prisão de megatraficante, De Sanctis critica falta de recursos para a polícia
De Sanctis é homenageado pela PF em SP

O desembargador Fausto De Sanctis, responsável pela condenação de Abadia e Daniel Dantas

Por determinação do hoje desembargador federal Fausto Martin De Sanctis, a Polícia Federal usou 1,6 milhão de reais apreendidos durante a prisão do megatraficante Juan Carlos Abadia, em 2007, para comprar equipamentos de apoio às investigações, como câmeras fotográficas de alta definição e computadores.

O dinheiro, segundo o desembargador federal, foi usado também para incrementar a segurança da sede da PF na capital paulista que, “apesar de relativamente nova, não foi idealizada e concebida com a preocupação que sua natureza impõe”.

Os repasses, realizados a partir de 2007 por determinação do então juiz da 6ª Vara Criminal Federal, motivaram uma homenagem ao magistrado na manhã desta quarta-feira 1 na sede da PF em São Paulo.

“A prestação de contas do dinheiro recebido demonstrou adequadamente o emprego dos recursos para os fins públicos almejados. É difícil imaginar no Brasil atuação da Justiça que reverta em algo concreto à sociedade de forma tão célere e eficaz. Um trabalho protocolar e sistêmico jamais levaria ao resultado que ora constatamos se não houvesse a tomada firme de ações e a confiança mútua nas instituições”, destacou De Sanctis, que criticou também a falta de recursos destinados à PF: "Não podem as instituições, por ausência de meios e recursos, ingressarem em estado vegetativo."

Notório pela condenação de criminosos do calibre de Abadia e do banqueiro Daniel Dantas, De Sanctis aproveitou a ocasião para fazer uma contundente crítica ao estado das coisas no Brasil (lei a íntegra do discurso ).

Em referências indiretas ao enriquecimento suspeito do ministro Antonio Palocci, à lentidão do Ministério Público Federal em analisar os fatos e à quase completa paralisia na investigação de crimes de colarinho branco, De Sanctis expôs sua indignação.

Sobre os cuidados do Ministério Público Federal no caso Palocci, De Sanctis afirmou: "Se ao juiz não cabe examinar fatos como se polícia ou acusação fosse, de igual modo não pode o ministério público atuar como juiz ou polícia. Ora, também a polícia não pode apreciar fatos como se Ministério Público ou juiz fosse. Fatos graves que estão sendo veiculados constantemente no país, e devem causar indignação, tristemente são objetos de conclusões preconcebidas de que não constituem infrações administrativas ou penais, apesar de sua aparente envergadura. O que pensar o cidadão quando não constata concretamente a atuação soberana das instituições que idealizou para o bem comum? É urgente a reflexão."

Sobre o caso Palocci em si e similares, ele afirmou: "Aproximamos, se é que não ultrapassamos, o momento de dizer ‘basta’, de repudiar toda e qualquer forma de corrupção, mesmo que, por exemplo, travestida na obtenção de cargos ou favores ou, ainda, na prestação de serviços não adequadamente justificáveis."

De Sanctis não poupou também a força dos donos do País: "O que se extrai disto tudo é a ideia de que redes intrincadas de interesses cruzados, escusos e privados, onde quer que estiverem, trabalham de forma organizada contra os que, com conhecimento, experiência e ética, tentam evitar respostas tardias ou inúteis à sociedade. O País está à deriva e cabe ainda a todos nós a recondução do destino das próximas gerações, retomando a credibilidade nas instituições desta nossa querida nação."

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