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Política

Crise no Planalto

Dilma lamenta saída e Palocci fala em 'manter o diálogo'

por Agência Brasil publicado 08/06/2011 16h38, última modificação 08/06/2011 20h16
A presidenta ressaltou amizade pelo ex-ministro que, durante a despedida, afirmou que suas atividades se tornaram incompatíveis com momento político

A presidenta Dilma Rousseff lamentou nesta quarta-feira 8 a saída de Antonio Palocci do cargo de ministro-chefe da Casa Civil e, com a voz embargada, disse que tinha "muitos motivos" para se sentir "triste". Em seu pronunciamento, na cerimônia de transmissão de cargo a Gleisi Hoffmann, Dilma fez questão de ressaltar sua amizade com o ex-ministro.

"Tenho muitos motivos para lamentar a saída do ministro Antonio Palocci. Motivos de ordem política, por todo papel que ele desempenhou na minha campanha. Motivos de ordem administrativa, pelo papel que tinha e teria no meu governo. De ordem pessoal, pela relação de amizade que construímos", declarou.

Antonio Palocci afirmou, em seu discurso de despedida, no Palácio do Planalto, que pediu demissão do cargo porque as atividades que ele exercia no governo se tornaram incompatíveis com o momento político atual. “Ficar no governo com o embate político não permitiria que eu desempenhasse minhas atividades na Casa Civil. Se eu vim para ajudar a promover o diálogo, saio agora para ajudar a preservá-lo”, afirmou Palocci.

O senador explicou ainda por que resolveu sair do cargo após receber o parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) pelo arquivamento do pedido de investigação das atividades da empresa de consultoria dele. Apesar de a PGR não ter encontrado indícios de ilegalidades, ele reconheceu que a permanência no governo se tornou insustentável politicamente. “O mundo jurídico não trabalha no mesmo diapasão do mundo político".

Dilma afirmou que confia na experiência da nova ministra como gestora. “Tenho certeza que você será bem-sucedida nessa importante função de governo. Sei disso porque a conheço muito bem. A agora ministra-chefe da Casa Civil se notabilizou pela competência de administradora e gestora”, disse Dilma em relação a Gleisi Hoffmann

Ela também ressaltou a tarefa da nova ministra de dialogar com a oposição, no Congresso Nacional. "É do jogo democrático enfrentar a oposição, sempre ruidosa e nem sempre justa. Pressões políticas não vão inibir a ação do meu governo. Jamais ficaremos paralisados diante do embate político. Temos promessas a cumprir e vamos cumprir”, disse a presidenta.

Palocci elogiou a escolha da presidenta e lembrou que a senadora foi a primeira mulher em 30 anos a assumir um cargo de direção na Itaipu Binacional, que administra a Hidrelétrica de Itaipu, no Paraná.

O ex-ministro também agradeceu aos colegas de partido e da base aliada no Congresso Nacional e procurou isentá-los de culpa pelas pressões que vinha recebendo para sair do cargo. “Divido com vocês as vitórias que tivemos e assumo a responsabilidade pelas nossas dificuldades”, afirmou o ex-ministro.

Palocci anunciou na terã-feira 7 sua demissão depois da crise que se instalou no governo com as suspeitas envolvendo sua evolução patrimonial. Ele foi alvo de uma reportagem da Folha de S.Paulo, que apontou um aumento de seu patrimônio em 20 vezes em quatro anos.

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