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Dilma e o presente

por Redação Carta Capital — publicado 10/08/2011 11h40, última modificação 12/08/2011 15h27
A presidenta fala sobre a troca na Defesa, as denúncias de corrupção e a crise econômica mundial
Presidenta Dilma Entevista para Carta Capital

Após quase oito meses, desempenho de Dilma é mais bem avaliado do que seu governo, aponta CNT/Sensu

A Luiz Gonzaga Belluzzo, Mino Carta e Sergio Lirio

Os gravadores ainda estavam desligados, a conversa versava sobre artes plásticas, quando Dilma Rousseff, por um instante, pensou em outra vida: “Vocês sabem que eu gostaria de ter sido pintora, não?” Quase no fim da entrevista, ela voltaria ao tema, um de seus preferidos, ao mostrar um livro sobre um grupo de sete pintores canadenses do começo do século passado, sua distração do momento.

No mais, a presidenta aparentava bom humor. E não havia um motivo específico para tanto. Ao contrário. A terça-feira 9 seria mais um daqueles dias em que o Palácio do Planalto se veria obrigado a reagir à contingência. Logo no raiar do dia, a Polícia Federal havia prendido 36 suspeitos de participar de um esquema de corrupção no Ministério do Turismo, entre eles o secretário-executivo da pasta. A operação soma-se a uma profusão de denúncias que culminaram na queda de Antonio Palocci, na faxina nos Transportes e nas demissões na Agricultura. Com resultados agora medidos sobre a aprovação da presidenta e de seu governo. Segundo pesquisa Ibope divulgada no dia seguinte, a popularidade de Dilma recuou 6 pontos porcentuais em relação à última medição. O mesmo se deu com o apoio à administração.

No flanco econômico, as bolsas de valores davam uma pequena trégua, mas prenunciavam os próximos dias de terror com o aprofundamento da crise econômica na Europa e o rebaixamento dos títulos da dívida dos Estados Unidos. “A situação mudou e o Brasil será obrigado a reagir de forma diferente à nova realidade”, afirmou Dilma, sem informar se a mudança em curso significa interromper a alta dos juros para conter uma inflação que já não mostra mais o ímpeto do primeiro semestre. “Pode ser exigido de nós um grande esforço.”

A entrevista, em uma antessala do gabinete presidencial,  precedeu uma reunião sobre o modelo de concessão de aeroportos a ser adotado pelo governo. Durante a conversa, que durou um pouco mais de uma hora, a presidenta negou que a nomea-ção de Celso Amorim para a Defesa tenha causado desconforto nas casernas (“Não estamos mais na época das vivandeiras”), afirmou que estádios e aeroportos estarão prontos a tempo para a Copa 2014, -expressou-se de forma distante sobre Ricardo Teixeira e garantiu que a Comissão da Verdade será instalada. E revelou seu novo projeto na área de saúde, definido por ela como sua mais nova “obsessão”: a adoção do home care, atendimento de saúde em casa nos moldes existentes no Reino Unido e nos EUA. “É mais barato, é melhor para as pessoas e pode ser feito em escala maior com um custo fixo muito pequeno e com um custo variável interessante.”

Confira a íntegra na Edição 659 de CartaCapital, já nas bancas

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