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Dilma defende mundo multipolar “sem hegemonias, nem zonas de influência”

por Sul 21 — publicado 14/04/2011 16h32, última modificação 15/04/2011 14h14
Em encontro na China, presidenta afirma que o objetivo do BRICS é agregar, sem confronto com outros mecanismos internacionais ou outros países. Por Janaína Silveira
Na China, Dilma defende mundo multipolar

Presidenta afirma que o objetivo do BRICS é agregar, sem confronto com outros mecanismos internacionais ou outros países. Por Janaína Silveira. Foto: Janaína Silveira/Sul 21

Por Janaína Silveira
A terceira reunião de cúpula dos BRICS — grupo composto por Brasil, Rússia, Índia e China, além de África do Sul, que se uniu formalmente ao grupo nesta quinta-feira (14) — terminou com a divulgação de um documento conjunto em que os países defendem reforma do sistema monetário internacional, alerta para os riscos de grande fluxo de capitais para as economias emergentes, além de prever mais cooperação entre os bancos nacionais de desenvolvimento, a fim de garantir mais financiamentos. No encontro, realizado no destino praiano de luxo chinês de Sanya, a presidente Dilma Rousseff defendeu um mundo multipolar “sem hegemonias, nem zonas de influência”. Segundo ela, o objetivo do BRICS é agregar, sem confronto com outros mecanismos internacionais ou outros paises.
Ao lado dos presidentes chinês, Hu Jintao, do primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, do presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, e do presidente da África do Sul, Jacob Zuma, Dilma destacou o papel destes países no Conselho de Segurança da ONU. Hoje, todos eles integram o organismo, apesar de apenas Rússia e China serem membros permanentes, com poder de veto.
Dilma já havia falado sobre as posições conjuntas do BRICS, avaliando como positivos tais movimentos, que significariam entendimento mútuo no âmbito da geopolítica mundial. No documento assinado em Sanya, os países pedem a volta da estabilidade no Oriente Médio e nos países do norte e do oeste da África, destacando a possibilidade de saídas diplomáticas para os conflitos.
Ao citarem a Líbia, os líderes expressaram preocupação pela morte de civis. Foi lembrado que, com exceção da África do Sul, que votou a favor da resolução da ONU, as demais nações se abstiveram.
Na pauta, os lideres ainda falaram de reformas não só na ONU, mas no Banco Mundial e no FMI. O pleito é para que os emergentes tenham mais espaço. No comunicado conjunto, os líderes afirmam que “compartilhamos da visão de que o mundo esta passando por mudanças de longo alcance, complexas e profundas, marcadas pelo fortalecimento da multipolaridade, globalização e crescente interdepêndencia”.
Fórum asiático
Na manhã desta sexta-feira (15), Dilma participará do 10º Fórum Asiático de Boao, na cidade de Boao, a cerca de duas horas de carro de Sanya, onde ocorreu o encontro do BRICS. Dilma falará logo após o colega chinês e será uma das estrelas do evento, uma das principais reuniões econômicas anuais da Ásia. O encontro deverá reunir representantes de 40 países e regiões.
De Boao, Dilma seguirá para Xi’an, onde se encontra com diretores da fábrica ZTE, estatal do setor de tecnologia que levará um centro de pesquisa e desenvolvimento avaliado em US$ 250 milhões para Hortolândia, em São Paulo.
No sábado 16, a presidente tem agenda privada e a previsão é de que ela visite os guerreiros de terracota, que estão em Xi’an, a primeira capital chinesa. Antes de deixar Pequim, Dilma conheceu a Cidade Proibida, acompanhada de sua comitiva.
Dilma deixou recado no livro de visitas, falando sobre a história e a riqueza chinesas e expressando a amizade de Brasil e China. Durante o percurso, a presidenta se mostrou descontraída e curiosa pela história do complexo imperial, inaugurada em 1421 e que abrigou 24 imperadores das dinastias Qing e Ming.
A presidenta teve acesso ao Pavilhão da Harmonia Suprema, onde está o trono do imperador, área restrita à visitação.
*Matéria publicada originalmente em Sul 21

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