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Ciência sem Fronteiras

Desenvolvimento e ciência

por Delfim Netto publicado 26/02/2012 09h16, última modificação 06/06/2015 18h57
Os Estados Unidos são a fonte mais avançada do conhecimento técnico-científico e o Brasil poderá se beneficiar do entrosamento. Não custa lembrar que a China mantém 200 mil cientistas em universidades e centros de pesquisa no exterior
aula universidade

'O aluno deverá ser capaz de dialogar com o mundo da pesquisa, de onde virá a maior parte desses conhecimentos'. Foto: Wilson Dias/ABr

Dilma rousseff tem viagem marcada para o início do mês de abril aos Estados Unidos, onde vai se encontrar com Barack Obama. Vai cumprir uma agenda, cujos destaques serão os temas relacionados com a educação, em particular iniciativas para turbinar o Programa Ciência sem Fronteiras, que prevê o intercâmbio de professores americanos e alunos brasileiros nas universidades e centros de pesquisas dos dois países.

É intenção do governo – segundo informou o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, em entrevista a CartaCapital na quarta 15 de fevereiro – aumentar neste ano para 18 mil o número de bolsas em cursos de pós-graduação no exterior e não somente nos EUA. Faz parte do objetivo estratégico de ampliar os incentivos à inovação, anunciado pela presidenta Dilma no fim de 2011, o financiamento oficial a 100 mil bolsistas brasileiros nos próximos três a quatro anos, em todas as áreas que ofereçam a oportunidade de acelerar o desenvolvimento tecnológico.

Os Estados Unidos são ainda a fonte mais avançada do conhecimento técnico-científico e, prosperando os acordos que se pretende firmar durante a visita, a economia brasileira poderá se beneficiar muito desse entrosamento, especialmente o seu setor industrial que depende fundamentalmente da inovação para garantir a futura capacidade de competição nos mercados mundiais. Não custa lembrar que o grande competidor universal mantém 200 mil chineses estudando em universidades e cursos científicos no exterior, aproximadamente 80% nos Estados Unidos, Canadá e Inglaterra.

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Reportagem especial da The Economist, sob o título geral de “Capitalismo de Estado” (na verdade um primoroso ensaio de 14 páginas), inserida na edição de 15 de fevereiro de CartaCapital, traz informações e comentários muito interessantes sobre a evolução da economia mundial, com foco no que apontam como a batalha definitiva do século XXI: “Não será entre capitalismo e socialismo, mas entre versões diferentes do capitalismo...”

O Brasil é citado, “embora en passant”, como um dos players importantes desse “grande jogo” que vai decidir o futuro da economia mundial. Somos apresentados como “um exemplo de boas práticas para os capitalistas de Estado se espelharem” e pelo fato de “ter sido pioneiro no uso do Estado como um acionista minoritário”. Certamente uma referência ao papel do BNDES, à presença dominante da Petrobras na área de energia e à participação dos fundos de pensão das empresas estatais nos investimentos privados e do próprio Estado.

A estrela da reportagem, como não podia deixar de ser, é a China: sua subida meteórica ao primeiro escalão do poder mundial, suas demonstrações de eficiência na concepção de “novos” modelos e na gestão do processo de desenvolvimento e, fundamentalmente, suas ambições de, singelamente, ter o mundo em suas mãos.

Como realizá-las, superando uma “brutal competição por recursos limitados”? (Leia-se energia... energia, petróleo!) O texto relaciona ações do Estado chinês nas duas últimas décadas à procura de matérias-primas em todo o mundo (algumas, heterodoxas, bem conhecidas). Muito elucidativa é a avaliação de uma alta fonte diplomática, citada na revista: “Os países ocidentais se sentem seguros ao comprar petróleo internacionalmente porque criaram o sistema. A China, não. Ela está convencida de que precisa usar todos os elementos do poder nacional – suas empresas e bancos, suas agências de fomento e diplomatas – para assegurar sua cota justa”.

Fica no ar a pergunta: e se o poder financeiro e “as ações diplomáticas” não forem suficientes para garantir a “cota justa”?

São questões que certamente estarão presentes nos encontros que a presidenta Dilma terá com seu colega Obama e demais personalidades do governo e do empresariado americano. Além do tema principal do intercâmbio universitário (no programa consta visita ao MIT), a mídia internacional já incluiu na pauta o interesse americano de discutir parcerias na área energética, com destaque para as oportunidades de exploração do petróleo e gás das jazidas do pré-sal para novos investimentos no desenvolvimento da indústria petroquímica.

Durante a visita, uma delegação de cerca de cem empresários organizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) estará se encontrando com seus colegas americanos para discutir parcerias e transferência de tecnologia – segundo informou à imprensa o presidente da CNI, Robson Andrade.

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