tamanho da fonte minímo médio máximo

Política

Bruno Huberman

Preconceitos

30.03.2011 09:47

Deputado carioca será processado por homofobia e racismo

Conselho de Direitos Humanos da Câmara se reúne para decidir como irá agir em relação à entrevista concedida por Jair Bolsonaro (PP) ao programa CQC

A Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, reunida nesta terça-feira 29, irá entrar com uma representação contra o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). Só resta decidir qual: se uma representação parlamentar na Câmara ou se uma ação judicial. O pepista virou alvo de críticas nas últimas horas após a entrevista à cantora Preta Gil durante o programa CQC, da rede Bandeirantes, na noite da segunda-feira 28, quando ao ser questionado se deixaria o seu filho namorar uma negra, respondeu: “Preta, não vou discutir promiscuidade com quer que seja. Eu não corro esse risco, e meus filhos foram muito bem educados e não viveram em um ambiente como, lamentavelmente, é o teu.”

“Eu acho lamentável. Isso é um abuso da representatividade parlamentar. Ele se utiliza do seu cargo para ofender. Eu fiquei chocado. Independente de filiação partidária, ele é um deputado e tudo tem um limite”, afirma o deputado Jean Wyllys (Psol-RJ), que ao lado dos deputados Manoela D’Avilla (PCdoB-RS) e Brizola Neto (PDT-RJ), decide como a Comissão irá agir. “Ele ataca a comunidade LGBT há muito tempo, mas só agora que ofendeu os negros é que caíram em cima dele.”

“O Bolsonaro feriu o código de ética da Câmara. Ele se utilizou da sua representatividade política para praticar homofobia e racismo”, reitera o deputado Chico Alencar (PSol-RJ), membro do Conselho de Ética da Casa, que também analisará a situação de Bolsonaro.

Em nota oficial, Bolsonaro tentou se defender: “A resposta dada deve-se a errado entendimento da pergunta – percebida, equivocadamente, como questionamento a eventual namoro de meu filho com um gay. Daí a resposta. Todos aqueles que assistam, integralmente, a minha participação no programa, poderão constatar que, em nenhum momento, manifestei qualquer expressão de racismo. Ao responder por que sou contra cotas raciais, afirmei ser contrário a qualquer cota e justifiquei explicando que não viajaria em um avião pilotado por cotista nem gostaria de ser operado por médico cotista, sem me referir a cor.”

“O Bolsonaro, por meio desta nota oficial, quer escapar da acusação de racismo, que como é crime pode ser considerada quebra de decoro e pode causar a sua expulsão da Casa. Ele quer ficar apenas com a acusação de homofobia, que não é crime e é considerada apenas injúria”, analisa Wyllys.

O apresentador do programa, o humorista Marcelo Tas, em entrevista ao Terra Magazine, reforçou a tese: “Ele manifestou dois preconceitos, contra os negros e contra os gays.” A apresentadora Preta Gil, por meio do seu advogado, disse que irá entrar com um processo por danos morais contra o deputado. Já o filho dele, centro de toda a polêmica passou o dia defendendo o pai: “É óbvio que eu namoraria uma negra.”

Enviar para um amigo Enviar para um amigo Imprimir: Compartilhar:
Mais...

Sua opinião

  1. Lorena Buzatto Caixeta disse:
    Muito fácil é perceber os "aventuradores" nos mares do Direito. Sim, aqueles que acham que pregando somente a literalidade vai fazer bonito e nem é da área jurídica diga-se de passagem! Um recadinho para o Sr. Raimundo: foi-se o tempo da monarquia e somente, REPITO(SOMENTE) o Rei lá nos primórdios tinha a última palavra e podia falar tudo pois o seu mundo ao redor girava em torno da sua própria consciência em detrimento de todos os súditos. Este artigo da Constituição(isso é o que dá não estudar e firular as vaidades devido a uma baixa estima evidente) refere-se as palavras e votos de um deputado no´ofício de um cargo, mas jamais pode-se esquecer que o objetivo maior dos três poderes postulado por Aristóteles e depois Montesquieu resulta sempre na Paz Social. Um representante popular deve sempre visar a paz social e jamais esquecer a sua função. A sua defesa está impregnada de um outro preconceito: o preconceito à mulher. Já acobertou seu filho de violência em relação a alguma nora sua negra? Na época não tinha Lei Maria da Penha né? Pra sua sorte! Não vivemos a Monarquia, Sr "Raimundo", para a felicidade da nossa nação brasileira que o Sr despreza e que devido a sua língua de endeusar a europa morrerás em terras guaranis..a sua língua fez vc passar por maus bocados, não foi? Não há escola melhor que a escola da vida, certamente.
  2. Natália disse:
    O que mais me abala é o apoio que ele está recebendo de grande parte da população. Pesquisem em sites de grande visibilidade e leiam os comentários, é uma tristeza só... Essa inversão, essa "defesa" incondicional pela "liberdade de expressão" dirigida a um indivíduo cuja vida política é dedicada essencialmente à repressão, à exclusão, ao fim da plasticidade dos alicerces que ainda sustentam nossa sociedade, é uma coisa horrível de se ver. Eu entendo que soe como censura questionar as colocações desse indesejável senhor, entendo até que alguns o defendam sob essa ótica, só não me conformo com esse panorama restrito que mais uma vez se mostra diante de um caso absurdo: porque a população brasileira não amadurece? Em termos de respeito, reconhecimento e inclusão... As infinitas possibilidades inerentes a existência humana se resumem, nesses dias deprimentes, a mediocridade deste ser limitado.
22fev

As próximas Raposas Serra do Sol

Congresso reivindica poder de decidir sobre futuro das terras indígenas. Hoje, o País tem 335 pedidos de demarcação encaminhados. Por Marcelo Pellegrini

22fev

“O Tribunal transformou o processo jurídico em político”, diz jornalista processado

Alvo de 33 ações judiciais, editor de jornal alternativo no Pará conta os percalços do processo movido contra ele e fala das ameaças que recebeu em sua carreira

22fev

Vai que é sua, Aécio!

Quando anunciar oficialmente que disputará a prefeitura paulistana em 2012, José Serra sinalizará a desistência de voltar à corrida presidencial em 2014

19fev

A eleição e a Copa do Mundo

O Mundial pode tornar monotemático a disputa presidencial de 2014. Um vexame nos gramados terá menos elevância
que falhas na organização.