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Bisbilhotagem

Defesa promete rever métodos de bisbilhotagem

por Redação Carta Capital — publicado 09/11/2011 17h34, última modificação 10/11/2011 10h02
Após reportagem de CartaCapital, ministro Celso Amorim diz que linguagem utilizada nos manuais de contrainteligência será adequada
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O minstro da Defesa, Celso Amorim, em audiência da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional para discutir o estágio atual do reequipamento das Forças Armadas. Foto: Antonio Cruz/ABr

O ministro da Defesa, Celso Amorim, informou nesta quarta-feira 9, em audiência pública na Câmara dos Deputados, que determinou a revisão dos manuais de contrainteligência do Exército e da Marinha para adequar a linguagem utilizada nos textos. Ele considera os serviços de contrainteligência “absolutamente necessários”, mas defende a separação entre as ações internas e externas.

O assunto veio à tona após reportagem de Leandro Fortes, publicada em Carta Capital, que divulgou trechos do manual do Exército (). O documento, como mostrou a reportagem, orienta uma política de infiltração de agentes de inteligência militar em organizações civis, como movimentos sociais e sindicatos.

O texto, de 162 páginas, reúne todas as paranoias de segurança herdadas da Guerra Fria e mantidas intocadas, décadas depois da queda do Muro de Berlim, do fim da ditadura e nove anos após a chegada do “temido” PT ao poder. Elaborado pelo Estado Maior do Exército, o manual lista como potenciais inimigos (chamados no texto de “forças/elementos adversos”) praticamente toda a população não fardada do País e os estrangeiros. Citados de forma genérica estão movimentos sociais, ONGs e os demais órgãos governamentais, de “cunho ideológico ou não”.

Durante a audiência na Câmara, o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) disse que o documento lembra a ditadura militar, mas ressaltou que o problema é de vocabulário. "Grande parte do que se encontra ali é direcionado à espionagem, que pode ser estrangeira. Mas como nós temos uma longa história [de ditadura], a ilação imediata é de que tudo aquilo vai ser empregado internamente”, disse. “Acho que não será assim na prática.”

"A audiência foi muito importante porque ela colocou um freio nessa lógica da espionagem, da bisbilhotagem, do ataque aos movimentos legítimos sociais como papel das Forças Armadas”, complementou o parlamentar.

Investimentos

Amorim também afirmou que, até dezembro, o ministério vai promover uma reunião com representantes das Forças Armadas para identificar as prioridades de investimento no Exército, Marinha e Aeronáutica.  Ele disse que um dos principais problemas tem sido a descontinuidade na aplicação dos recursos, o que provoca prejuízos na execução de ações e programas. Citou, como exemplo, os projetos de construção do submarino nuclear e do lançador de foguetes da base de Alcântara.

O ministro explicou que os profissionais que atuam nesses projetos são especializados e atrasos ou descontinuidade de orçamento acabam desfazendo as equipes. Apesar dos problemas orçamentários, Amorim prevê que o projeto do lançador de foguetes deve estar concluído em 2015 e o do submarino, em 2025 .

Ele defendeu também uma revisão urgente dos salários nas Forças Armadas. Ele lembrou que um segundo-tenente hoje ganha cerca de 6 mil reais - valor menor do que o pago a várias carreiras de Estado.

*Com informações da Agência Câmara

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