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Rosa dos Ventos

Dá pra virar? Não

por Mauricio Dias publicado 06/09/2010 17h04, última modificação 14/09/2010 17h33
Nenhum candidato à frente nas pesquisas, como Dilma, no horário eleitoral gratuito perdeu a eleição
Dá para virar? Não.

Nenhum candidato à frente nas pesquisas, como Dilma, no horário eleitoral gratuito perdeu a eleição. Foto: Wilson Dias/ Agência Brasil

Nenhum candidato à frente nas pesquisas, como Dilma, no horário eleitoral gratuito perdeu a eleição

A campanha de Serra tenta evitar que tudo piore ainda mais e busca fôlego em slogan surrado – “Hora da virada” – diante do fracasso dos factoides. O fato é que não houve virada em nenhuma das cinco eleições realizadas após a retomada da disputa pelo voto direto, em 1989, já com a propaganda eleitoral no rádio e na televisão.
O histórico das competições presidenciais, polarizadas entre o PSDB e o PT, aponta para a decisão no primeiro turno.

Em 1989, não havia essa polarização e 22 candidatos competiam. Fernando Collor foi para o segundo turno com o dobro das intenções de voto em Lula (22% contra 11%, em porcentuais redondos) e ganhou a eleição. Leonel Brizola teve menos de 500 mil votos do que Lula.

Em 1994 e 1998, o tucano FHC liquidou a fatura contra Lula no primeiro turno. Valeu-se da estabilidade da moeda, proporcionada pelo Plano Real, criado no governo Itamar Franco.

Lula admite, hoje, com razão, que seria um desastre se vencesse aquelas eleições que embalaram sonhos generosos, mas ingênuos.
A exemplo do que ocorreu em 1989, houve um grande número de concorrentes na eleição de 2002. Ciro Gomes (PTB) e Anthony Garotinho (PSB) foram os que, fundamentalmente, impediram a vitória de Lula no primeiro turno. Com 34% das intenções de voto, o petista entrou no horário eleitoral à frente de Ciro Gomes (25%) e de José Serra (14%), além de Garotinho (11%), e ganhou a eleição no segundo turno do tucano, que subiu 4 pontos no horário eleitoral e chegou a 18%, em segundo lugar (gráfico).

Em 2006, após cruzar a tormenta das denúncias do chamado “mensalão” no ano anterior, Lula disputou a reeleição contra o ex-governador, também paulista e também tucano, Geraldo Alckmin. A história se confirmou. Lula entrou na etapa da propaganda eleitoral gratuita à frente de Alckmin, com mais que o dobro das intenções de voto: 46% contra 21%.

Por que a eleição foi esticada para o segundo turno, por muito pouco, já se sabe. Houve a denúncia contra os chamados “aloprados” do PT. Mas o impacto não foi provocado pelos programas do horário eleitoral. A denúncia foi explorada ao máximo pelo Jornal Nacional e teve forte repercussão na mídia escrita. Mesmo assim, mantendo o histórico das eleições, Lula venceu.
É atrás de escândalo semelhante ou mais forte que a oposição anda. Um fato novo, real, que possa ser manipulado para impactar a opinião pública. Mentira não cola.

A vitória de Dilma, se confirmada, jogará por terra, mais uma vez, a influência da mídia sobre eleitores de renda mais baixa e de menor escolaridade. É um mito alimentado pelo preconceito. A imprensa brasileira, em ação implacável contra a candidatura Dilma, talvez aprenda que pobres e ricos só votam por interesse concreto. Voto ideológico, à esquerda ou à direita, é instrumento político da minoria.

Por essas razões, a margem de erro é muito curta, quando se diz “Não” em resposta à pergunta angustiada feita pela oposição: “Dá pra virar?”

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