Você está aqui: Página Inicial / Política / CUT quer reestruturação da carga tributária

Política

Seminário

CUT quer reestruturação da carga tributária

por Redação Carta Capital — publicado 22/03/2011 12h19, última modificação 22/03/2011 12h19
Impostos não são excessivos, e sim mal distribuídos, diz entidade, para quem taxar o consumo prejudica o trabalhador. Da Redação

Impostos não são excessivos, e sim mal distribuídos, diz entidade, para quem taxar o consumo prejudica o trabalhador

A carga tributária brasileira não deve ser diminuída, e sim reestruturada. Essa foi a conclusão do primeiro dia do seminário “Tributos e Desenvolvimento: perspectivas para o trabalho e distribuição de renda”, promovido pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) nesta segunda-feira 21. “A CUT e suas entidades não devem defender a redução da carga tributária, já que isso não interessa à maioria que depende dos serviços públicos de saúde, educação, segurança, seguridade social e outros, que precisam de financiamento adequado para funcionar”, diz um texto sobre o evento no site da entidade.

Na mesa de abertura do evento, o professor Evilásio Salvador, da Universidade de Brasília, argumentou que é necessário tornar a estrutura tributária progressiva, o que alteraria seu formato atual a passaria a cobrar mais impostos daqueles que têm mais renda e patrimônio. Salvador apresentou dados sobre a distribuição tributária no País: 66% dos impostos são cobrados dos trabalhadores, isso porque a maioria dos impostos recai sobre o consumo enquanto que renda, propriedade e aplicações e especulações financeiras representam uma pequena parte. O consumo representou, em 2009, 55% da arrecadação tributária brasileira e a renda, 12,4%.

Já o professor Anselmo Luiz dos Santos, da Unicamp, condenou a “perversidade” da “lógica regressiva que mexe direto no bolso do trabalhador”. Ele criticou a Desvinculação das Receitas da União (DRU), aplicada no governo FHC, que termina neste ano. A DRU, segundo Santos, retirou 40 bilhões de reais da Previdência, da Saúde e da Segurança Social, que foram direcionados para despesas financeiras com juros e amortização da dívida, que consome hoje 6% do PIB.

Artur Henrique, presidente da CUT, antes de abrir o seminário para perguntas dos dirigentes sindicais presentes, disse que a ideia de diminuir a carga tributária é agenda da elite. “Nós queremos é debater a mudança na estrutura tributária brasileira. Apontamos para algumas mudanças: penalizara a especulação, tributar a renda e não o consumo”, ressaltou.

O seminário prossegue nesta terça-feira 22, com a seguinte programação:

Dia 22, terça-feira

09h30 – Mesa

Experiências internacionais de Sistema Tributário

Klaus Beck– DGB Alemanha
11h –Mesa

Desafios para uma Reforma Tributária no Brasil

Márcio Pochmann – Presidente do IPEA
Cláudio Puty – Deputado Federal PT
Pedro Delarue Tolentino – Presidente SINDFISCO Nacional
Nelson Barbosa – Secretário Executivo do Ministério da Fazenda
Clemente Ganz Lúcio, coordenador do DIEESE
14h – coletiva de imprensa
15h30 – Estratégia e Ações da CUT

Serviço:

O seminário será realizado no Hotel Nacional, em Brasília (Setor Hoteleiro Sul – Quadra 01 – Bloco A).

registrado em: ,