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Crise, que crise?

por Gianni Carta publicado 03/10/2011 16h29, última modificação 03/10/2011 19h19
Um tenente-coronel seria mentor da execução da juíza Acioly, seguranças mortos, explosões de bueiros, mas Cabral prefere falar em 'investimentos' e na 'redução da criminalidade'

Sérgio Cabral, o governador do Rio de Janeiro, nega que sua cidade esteja atravessando uma crise. Imaginem se estivesse. Cabral desvia os ataques para temas como o aumento de investimentos e a redução da criminalidade.

Mas não sejamos ingênuos: a cidade do Cristo Redentor, com seus bueiros a explodir, está mergulhada numa crise brava. Crise – é importante repetir o termo “crise” – que afeta Cabral como governador, e até sua família. Na quinta-feira 29, o segurança da mãe do governador, Magaly Cabral, foi assassinado a tiros.

A senhora Cabral não estava presente no momento do assalto, mas o cabo da PM Leonardo Gonçalves de Matos estava de plantão. Gonçalves de Matos levou seis tiros ao reagir.

Cabral também parece preferir falar em como foi realizada a nomeação do coronel Erir Ribeiro da Costa Filho ao comando-geral da PM do que abordar o grave motivo a levar o coronel Mário Sérgio Duarte a se demitir.

A “excelente” nomeação, disse Cabral, foi feita pelo secretário de Segurança, José Mariano Beltrame.

Mas voltemos a Duarte – e à sua demissão. Foi ele quem nomeou o tenente-coronel Cláudio Luiz da Silva de Oliveira para o comando do 7º BPM, em São Gonçalo. Da Silva de Oliveira é acusado de ter sido o responsável pela execução da juíza Patrícia Acioly.

A situação do tenente-coronel piorou no final da semana. Um segundo cabo da PM, também ele preso por ter participado da morte da juíza Acioly, disse que o tenente-coronel Cláudio foi o mentor do plano para assassinar a magistrada.

Ainda segundo o cabo, os policiais militares pretendiam eliminar também um inspetor da Polícia Civil.

A aparente imunidade de Cabral à crise no Rio pode, neste país onde prima a violência, ser facilmente explicada. Em primeiro lugar, ele é governador e tem de minimizar as turbulências na sua cidade. Em segundo lugar, o governador se comporta como numerosos brasileiros. Diante da violência acabam se acostumando, como vítimas ou ouvintes, das mais inauditas tragédias. É difícil, afinal, encontrar alguém neste país sem histórias para contar de assaltos, sequestros, e assassinatos.

O governador do Rio também tem suas histórias. Em abril de 2007, o segurança de seus filhos foi vítima de assalto, mas continua vivo. Ainda naquele ano, um policial a trabalhar para o secretário de Segurança Beltrame foi morto. Assim como o segurança da mãe do governador, o de Beltrame reagiu a um atentado e foi morto a balas: 30 tiros.

Nesse quadro negro, o governador Cabral nos garante que não há crise no Rio.

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