Você está aqui: Página Inicial / Política / Crise e troca de comando na polícia

Política

Crime

Crise e troca de comando na polícia

por Redação Carta Capital — publicado 30/09/2011 11h03, última modificação 30/09/2011 14h36
Saiba como a participação de policiais na morte da juíza Patrícia Acioli leva à renúncia do comandante da PM no Rio de Janeiro

O comandante da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Mário Sérgio Duarte, pediu exoneração do cargo na noite da quarta-feira 28. O pedido ocorreu após a repercussão negativa das investigações envolvendo o assassinato da juíza Patrícia Acioli, famosa pelas várias condenações de policiais delinquentes. De acordo com a Divisão de Homicídios, o crime teve a participação de sete PMs e foi ordenado pelo tenente-coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira, ex-comandante do 7º BPM (São Gonçalo). Após a morte da magistrada, ele foi redirecionado pelo próprio Duarte para o comando do 22º BPM (Maré), um batalhão de maior visibilidade.

Em entrevista à rádio Band News FM, Duarte criticou a falta de diálogo entre a Corregedoria da PM e o comando da corporação e garantiu não ter qualquer tipo de “relação pessoal” com o tenente-coronel acusado de ter ordenado a morte da juíza. Os dois foram colegas do curso de treinamento do Bope, em 1989. O ex-comandante da PM fluminense também argumentou que a transferência de Oliveira foi um procedimento de rotina, mas, segundo a Secretaria de Segurança Pública do Rio, ele próprio teria reconhecido o “equívoco” na nomeação e estaria “ciente do desgaste institucional decorrente de sua escolha”.

Em nota, o secretário José Mariano Beltrame lamentou a saída de Duarte, que exercia a função desde 2009. Em seu lugar, foi nomeado o coronel Erir da Costa Filho, de 54 anos, o mais antigo em atividade na corporação. O tenente-coronel Oliveira e os sete PMs indiciados pelo homicídio da juíza, em 11 de agosto, estão presos na penitenciária de segurança máxima Bangu 1.

Na ficha de antecedentes criminais do tenente-coronel havia oito passagens que vão de lesões corporais leves a um homicídio, ocorrido em 1994, no bairro de Copacabana, crime pelo qual o oficial foi absolvido. Ele também teve desavenças com a juíza Acioli. Após discutir com a magistrada na arquibancada de um jogo de futebol, o oficial deu voz de prisão a ela por desacato. Mas acabou processado posteriormente por abuso de autoridade.

registrado em: