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Política

Pequenas Utopias

Criança teria Voto?

por Milton Nogueira — publicado 16/09/2010 10h52, última modificação 06/06/2015 18h43
Criança deveria ter direito a voto, que seria depositado pelo pai, mãe ou pessoa responsável. Ou seja, criança teria voto, mas não votaria

Criança deveria ter direito a voto*, que seria depositado pelo pai, mãe ou pessoa responsável. Ou seja, criança teria voto, mas não votaria.

O Brasil, com 195 milhões de habitantes, tem 123 milhões de eleitores considerados cidadãos com direitos políticos plenos. E os outros 72 milhões, não seriam cidadãos? Quem os representa? Eles deveriam ter direitos políticos parciais, já que são objetos de políticas públicas para crianças, recebem tratamento específico, viajam, estudam, trabalham, moram, consomem; alguns morrem de bala perdida. Mas sua cidadania não vem sendo reconhecida na hora mais importante da democracia, a eleição.

As crianças principalmente existem como o futuro do Brasil.
Seria, portanto, justo e democrático dar-lhes o bem político principal de uma democracia, o voto. As crianças e adolescentes teriam o direito ao voto, seriam representados na eleição pelo seu pai, mãe ou responsável, que decidiria sobre o candidato e depositaria o voto na urna. O voto existe para expressar a vontade do cidadão, inclusive de crianças e adolescentes e, por isso, dar-lhes o voto asseguraria um direito fundamental de representação.

E o outro prato da balança? Onde pode sair errado? Não se sabe ainda, pois essa pequena utopia nunca foi tentada, mas, eis algumas conjeturas de respostas.

Abusos e confusão na boca da urna: improvável, pois a votação eletrônica tem sido altamente organizada e limpa.

Venda de votos, por famílias com muitos filhos: depende de como a campanha seja feita pelos partidos.

Famílias pobres, tidas como mais prolíficas, teriam um incentivo a mais para procriar: improvável, pois o voto não traz em si nenhuma vantagem financeira. O voto de criança, ao contrário, valorizaria a família e não apenas o indivíduo.

Burocracia na eleição e apuração. Improvável com votação eletrônica, já comprovadamente eficiente e rápida.
O futuro? Com o voto de criança, teríamos a efetiva participação de todos os cidadãos. O Brasil poderia ser pioneiro na humanidade, tal como em várias outras ocasiões, se desse direito de voto a crianças e adolescentes.

Caro leitor, quantos filhos você tem?

*Ver meu artigo sobre voto contrário publicado em 8 de maio. .

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