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Política

Corrupção

CPI da Bancoop aprova relatório que acusa tesoureiro de PT de caixa 2

por Ricardo Carvalho — publicado 26/10/2010 13h08, última modificação 26/10/2010 16h01
Também será encaminhado ao Ministério Público um segundo documento produzido por deputados petistas que questiona as denúncias

Também será encaminhado ao Ministério Público um segundo documento produzido por deputados petistas que questiona as denúncias

A CPI da Bancoop na Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou, nesta segunda-feira 25, o relatório final da investigação sobre as supostas irregularidades e desvio de dinheiro da cooperativa habitacional dos bancários. Em denúncia apresentada na última semana pelo promotor José Carlos Blat, o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, que presidiu a Bancoop até março de 2009, é acusado de praticar caixa dois para campanhas políticas do partido. ()

O advogado da Bancoop, Pedro Dallari, afirma que a CPI optou por aceitar um relatório de víeis político-partidário. “Sete membros da CPI são da base de sustentação do governo do PSDB em São Paulo, e eles optaram por exercer a condição de maioria para aprovar o relatório”, diz. São nove os. O presidente, Samuel Moreira e o relator, Bruno Covas, são do PSDB. O relatório votado ontem propõe a intervenção do Ministério Público na entidade e a implantação de linhas de crédito do governo estadual para a conclusão das obras. “A intervenção já foi propostas por um grupo de cooperados anteriormente, foi examinada e o Ministério Público arquivou por falta de amparo legal”, defende Dallari.

Já o deputado membro da CPI Vanderlei Siraque (PT), lembra que um segundo relatório, escrito em co-autoria com o também petista deputado Vicente Cândido, foi anexado e também será encaminhado ao Ministério Público. O documento questiona as acusações contra a cooperativa e João Vaccari Neto. Embora tenha sido divulgado pelo jornal O Globo como uma aprovação unânime pela CPI, Siraque destaca que ambos deputados do PT não tiveram acesso ao relatório e não participaram da votação. “A comissão estava marcada para as 14h30min e normalmente tem 15 de minutos de tolerância. Chegamos às 14h35min e a votação já tinha acontecido, inclusive sem a presença do presidente”.

Investigada desde 2007, a Bancoop teria como fim facilitar à categoria dos bancários a compra de imóveis a preço de custo. Os cooperados, entretanto, reclamam não ter recebido as chaves, mesmo depois do pagamento. O advogado de João Vaccari Neto, Luiz Flávio D’Urso, questiona a afirmação. Segundo ele, há casos de inadimplência entre os cooperados que atrasam ou até inviabilizam a construção dos edifícios e isso não configura crime.

O tesoureiro João Vaccari Neto é acusado por gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e formação de quadrilha.

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