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Corrupção, poder e política

por Redação Carta Capital — publicado 19/11/2010 10h01, última modificação 19/11/2010 10h03
Após nove anos, começa o julgamento dos réus no assassinato de Celso Daniel

Após nove anos, começa o julgamento dos réus no assassinato de Celso Daniel

Passados quase nove anos do crime, um júri formado por cinco mulheres e dois homens decidiu condenar Marcos Roberto Bispo dos Santos, o Marquinhos, por participação no assassinato do ex-prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel. Condenado a 18 anos de prisão na quinta-feira 18, após quase seis horas de julgamento no Fórum de Itapecerica da Serra, ele é acusado de ter conduzido o veículo utilizado no sequestro do ex-prefeito do PT, encontrado morto com oito tiros em uma estrada de Juquitiba, interior paulista, em janeiro de 2002. Outros seis acusados deverão enfrentar o júri pelo homicídio, entre eles Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, apontado como mandante do crime.

Marquinhos foi julgado à revelia, está foragido. O advogado de defesa Adriano Marreiro dos Santos sustentou que o réu confessou participação no crime sob tortura da Polícia Civil. Ao pedir a condenação do réu, o promotor Francisco Cembranelli apresentou depoimentos de 21 testemunhas, incluindo alguns dos acusados, que permitem confirmar a participação de Marquinhos no assassinato.

De acordo com o promotor, o ex-prefeito morreu após descobrir que o dinheiro de um esquema de corrupção envolvendo empresas e a prefeitura estava sendo desviado em benefício dos mandantes do crime, e não para abastecer o caixa 2 do PT. “Na primeira gestão de Celso Daniel, o Sombra era apenas um segurança da prefeitura. Ele enriqueceu e passou a extorquir empresários e a direção do Partido dos Trabalhadores, fazendo um grande esquema de arrecadação ilegal com empresas que tinham contrato com a prefeitura”, afirmou Cembranelli.

Apesar da menção ao esquema de corrupção e arrecadação ilegal de recursos para a campanha, o promotor ressaltou que a acusação não tem interesse em prejudicar o partido do ex-prefeito. “O PT não é réu no processo”, afirmou diante do júri. Cembranelli recusou-se, no entanto, a considerar o caso um crime comum. “Para aqueles que almejavam o enriquecimento ilícito, Celso Daniel passou a ser um estorvo.”

Ao menos sete envolvidos no caso, entre testemunhas, investigadores e acusados de participação do crime, foram mortos ao longo da investigação. Por medo de represálias, familiares do ex-prefeito se mudaram para a França.

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