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Política

Complexo do Alemão

Confronto no morro

por Redação Carta Capital — publicado 07/09/2011 11h25, última modificação 07/09/2011 15h13
Supostos traficantes teriam iniciado tiroteio; o Exército reagiu com fuzis e confronto no Complexo do Alemão teve início

Depois de quase nove meses de aparente tranquilidade, o clima voltou a ficar tenso no Complexo do Alemão, no início da noite da terça-feira 6. Vários tiros foram disparados na Favela da Grota. A informação é que um princípio de tumulto no alto do morro mobilizou os homens do Exército e da Polícia Militar (PM). Armados de fuzil, cerca de 50 militares da chamada Força de Pacificação começaram a ocupar os acessos ao local.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, 50 traficantes tentaram invadir a comunidade, ocupada pelas Unidades de Pacificação desde novembro. O Exército afirma que os invasores iniciaram o tiroteio como forma de provocação.

No quartel da Força de Pacificação, na parte baixa do morro, carros de combate do Exército, do tipo Urutu, foram preparados para entrar nas comunidades. Todos os acessos às favelas do Complexo do Alemão estão fechados.

O comércio fechou as portas mais cedo. Os moradores se refugiaram em casas também na parte baixa do Complexo do Alemão.

Na manhã da quara-feira, os conflitos haviam se encerrado. Bombas caseiras foram encontradas pelo exército. Moradores relatam que uma moradora de 15 anos morreu baleada na cabeça.

O principal foco de tensão é a Comunidade da Alvorada, onde está localizada a Estação Itararé do teleférico. O prédio da estação serviu de abrigo para cerca de 50 moradores. Há relatos de tiros de pistola, fuzil e estrondos de granadas. Segundo informações dos militares, os criminosos usaram como base os morros do Adeus e da Baiana. O comandante-geral da PM, coronel Mário Sérgio de Brito Duarte, afirmou que os morros Adeus e Baiana serão ocupados por tempo indeterminado.

No domingo 4, houve um incidente entre militares e moradores do Alemão que mostra a temperatura da relação entre comunidade e soldados na região. Ao reprimir um grupo de moradores que assistia a um jogo de futebol e que se recusou a abaixar o som, soldados do Exército foram atingidos com pedras, pedaços de pau e garrafa. Eles reagiram atirando com balas de borracha e spray de pimenta. Várias pessoas ficaram feridas. Desde então, o clima no local é tenso.

De acordo com as Forças de Pacificação, 100 fuzileiros navais foram convocados para reforçar o efetivo de segurança.

Ontem 5, moradores fizeram uma manifestação pedindo a saída da Força de Pacificação. Promotores de Justiça estiveram no local e começaram uma investigação para apontar os responsáveis pelo incidente.

*Com informações da Agência Brasil

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