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Combate à fome marcou política externa do governo Lula, diz Patriota

por Marsílea Gombata publicado 16/07/2013 10h10, última modificação 26/06/2015 09h12
Segundo chanceler brasileiro, principal caracterísitica desses dez anos foi o foco nos países em desenvolvimento
Divulgação / Fundação Perseu Abramo
patriota conferência

Chanceler falou nesta segunda-feira 15 em evento na Ufabc

Foi a inclusão do combate à fome como parte primordial de sua agenda externa que fez do Brasil um protagonista no cenário da política externa. A avaliação, feita pelo chanceler Antonio Patriota, buscou explicar o que mudou na política externa brasileira com a chegada de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência. “Não somente a introdução na agenda interna brasileira, mas também na agenda internacional do governo do presidente Lula contribuiu para esse debate”, afirmou o ministro das Relações Exteriores brasileiro nesta segunda-feira 15.

Ao falar a estudantes de relações internacionais, acadêmicos e representantes de instituições como a Fundação Perseu Abramo e a Central Única dos Trabalhadores na conferência 2003 – 2013: Uma Nova Política Externa, na Universidade Federal do ABC (Ufabc), em São Bernardo do Campo, o ministro lembrou ainda que a diplomacia do governo Lula inverteu a lógica que vinha sendo estabelecida, uma vez que a receita era antes promover desenvolvimento econômico para, então, combater a pobreza e a fome.

Segundo Patriota, a grande marca do governo Lula no campo das relações internacionais foi a “inovação na interlocução” com países não desenvolvidos. “Mudou a maneira de o Brasil interagir com o mundo em desenvolvimento”, sublinhou ao citar contatos com nações do hemisfério sul do mundo emergente, como África do Sul e Índia (através do Ibas). “Foi um período extremamente criativo e propositivo. Sempre tivemos algumas características de defender interesses econômicos com muita veemência, mas nem sempre com criatividade. Essa inteiração foi extremamente criativa.”

Patriota lembrou ainda que a própria iniciativa de aliar países árabes ao Brasil, através da Cúpula América do Sul – Países Árabes (Aspa) foi ideia do ex-presidente Lula, recebida em um primeiro momento com estranhamento por parte do corpo de diplomatas brasileiros. “Quando ele apresentou [a ideia] no Itamaraty, muitos foram céticos, acharam que seria impossível realizar o encontro, que hoje ganha uma nova ressonância no despertar do que ficou conhecido como Primavera Árabe”, disse ao comparar países palcos de revoltas a uma espécie de Brasil de amanhã, por ter enfrentado desafios que podem servir de exemplos para a elaboração de políticas públicas.

Além do Ibas, ele lembrou, o Brasil contribuiu para o surgimento de novos mecanismos de cúpula, como a dos Brics em 2009, e também passou a ser observador da Liga Árabe e da União Africana. Buscou abrir mais representações diplomáticas na África e no Oriente Médio e voltou-se para o Caribe. O novo enfoque, garantiu o ministro, não deixou de lado relações já em curso com países já desenvolvidos, como os da União Europeia.

Alca. Patriota relembrou que há cerca de 10 anos, quando Lula chegou ao poder, o contexto era bastante diferente e debatia-se a criação da Alca e do Nafta. O que mudou de forma tão relevante na política externa brasileira? “Eu começaria pelo regional. A própria definição do que é regional mudou. O que a política externa do presidente Lula começa a fazer é lançar um olhar novo sobre a nossa região”, disse ao destacar o fortalecimento do Mercosul e a criação da Unasul e da Comunidade dos Estados Latinoamericanos e Caribenhos (Celac). “O ministro Celso Amorim gosta de dizer que a política externa brasileira ficou ativa e altiva. Seria injusto dizer que a política externa anterior seria passiva e subserviente. Era menos criativa.”

Em relação aos desafios futuros, ele explicou, não há ruptura, mas sim o foco no “aprofundamento e consolidação” dessa política externa a partir dos oito anos do governo Lula. “Não há tema hoje em dia de relevância para o futuro da ordem internacional em que as impressões digitais do Brasil não sejam muito visíveis”, disse.

Ao final da mesa, ele anunciou ainda a criação de um fórum permanente com a sociedade civil para temas de política externa no Brasil. Ideia ainda muito incipiente, mas largamente aplaudida na noite de segunda-feira.