
O prefeito paulistano tenta repetir com o ex-presidente do BC o que José Serra fez com ele em 2008. Foto: Olga Vlahou
Como prefeito da maior cidade do País, Gilberto Kassab é um ótimo articulador político e a cada dia surpreende mais nesta função. Após dar uma banana ao direitista DEM, partido que o projetou politicamente, e criar o “nem esquerda nem direita nem centro” PSD, a nova peripécia política kassabiana é a ida de Henrique Meirelles para seu partido.
Meirelles, que estava filiado ao PMDB, tem boas chances de ser candidato a prefeito de São Paulo em 2012. Kassab arriscou alto caso seja confirmada a intenção de ter o ex-pmdbista na prefeitura. Embora seja presidente da Associação Viva o Centro de São Paulo, o ex-banqueiro fez a própria carreira no estado de Goiás – ou seja, identificação quase nula com o eleitorado local. Presidiu o Banco Central no governo Lula, que, como se sabe, tem no estado de São Paulo forte resistência, sobretudo entre a classe média. Em seu favor, é muito lembrado como o fiador da estabilidade do governo Lula. Portanto, vender o peixe de Meirelles seria uma tarefa árdua, mesmo tendo nomes pouco empolgantes com quem disputar a vaga pelo PSD, como o vice-governador Afif Domingos (até agora, o favorito) e da vice-prefeita Alda Marco Antônio.
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Kassab faz exatamente o que seu mentor e antecessor José Serra fez com ele: tirou um nome do bolso do colete para tentar chacoalhar a eleição local a seu favor. Foi assim que Kassab foi de vice-prefeito incógnito a alcaide do maior município do Brasil. Acontece que Serra já era um nome nacionalmente consolidado com forte apelo eleitoral na capital paulista. Vai ser difícil emplacar Henrique Meirelles como candidato a prefeito, mesmo com o pacotão publicitário kassabiano que deve pintar nos próximos meses, visando dar um gás na sua tão caída popularidade.
Em último caso, Meirelles no PSD ao menos engrossa a fama do prefeito da maior cidade do País que segue fazendo muito barulho, mas não necessariamente por seus feitos no cargo em que ocupa.
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