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Política

Fusão CBD-Pão de Açúcar

Os dois 'nãos' de Abilio Diniz

por Clara Roman — publicado 13/07/2011 09h11, última modificação 06/06/2015 18h57
Dilma Rousseff orientou BNDES a não entrar na operação e Casino lançou relatório para não participar de negócio
abilio

Dilma Rousseff orientou BNDES a não entrar na operação e conselho do Casino lançou relatório avassalador, garantindo que não participa de negócio. Foto: Masao Goto Filho

Dilma Rousseff orientou BNDES a não entrar na operação e conselho do Casino lançou relatório avassalador, garantindo que não participa de negócio. Foto: Masao Goto FilhoAbilio Diniz recebeu dois “nãos” antes de ver as negoaciações para a fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour naufragarem. O primeiro, quando Dilma Roussef orientou, na segunda-feira 11, que o BNDES não apoiasse a fusão entre a Companhia Brasileira de Distribuição e o braço brasileiro da rede francesa. O segundo, quando o conselho administrativo o grupo Casino, sócia francesa de Diniz, apresentou relatório avassalador, apontando que a proposta era ilegal e que o conselho se fecharia a negociações. No final da terça-feira 12, oem investir na fusão. O empresário se viu obrigado a assumir a derrota e divulgou que "".

Sem acerto, o BNDES ficou sem argumento para bancar seus planos. O presidente da instituição, Luciano Coutinho,  já havia manifestado que o dinheiro - cerca de 4,5 bilhões de reais - só seria liberado se houvesse entendimento entre as partes (Jean-Charles Naouri, presidente do grupo Casino e Abilo Diniz).

O impasse começou há algumas semanas quando Diniz anunciou a intenção do empreendimento com o Carrefour. Juntos, os dois varejistas deteriam 70% do mercado brasileiro nas regiões onde os grupos têm mais alcance, como São Paulo.

Problemas à vista

Segundo Cláudio Felisoni de Angelo, professor da Faculdade de Administração da USP e coordenador do Programa de Administração em Varejo (PROVAR), essa porcentagem é similar à praticada na Europa e não seria problemática se observada genericamente. A análise, defendeu, deveria ser feita por áreas de influência.

A competição se dá loja a loja, por micro regiões. O monopólio do Pão de Açúcar e Carrefour possibilitaria  aumento dos preços e prejudicaria o consumidor. Segundo o especialista, se o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) não fizesse modificações no acordo arquitetado pelas empresas, a fusão seria "inaceitável".

Para ele, a solução só faria sentido se o Cade  avaliasse as diferentes regiões e obrigasse o grupo a transferir propriedades para concorrentes, como o Walmart, que detém 22% do setor.

Mas, segundo Angelo, a tecnologia tem auxiliado para que os consumidores tenham maior poder de escolha. “A internet faz com que comparações de preço sejam muito mais claras e rápidas”, diz. O administrador alerta, no entanto, para outro problema. O movimento de fusões no setor varejista fez com que as pequenas redes e comerciantes praticamente desaparecessem, restando apenas as grandes empresas.

Fusões e aquisições têm sido frequentes em outros setores do mercado. O Cade decide nesta terça-feira 12 se aprovará a união entre Sadia e Perdigão e na sexta-feira 8 a Gol anunciou a compra da concorrente WebJet, marca que deve desapercer se a transação for aprovada.