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Política

Eleições 2010

Cláudio Lembo: a mídia tomou partido

por Redação Carta Capital — publicado 19/09/2010 09h29, última modificação 20/09/2010 13h28
Em entrevista ao portal Terra, o ex-governador de São Paulo avalia a situação política do país tendo em vista as eleições. Esta matéria foi publicada em 15 de setembro e republicada hoje

[Matéria publicada neste site em 15 de setembro, republicada em 20 de setembro].

Em entrevista ao portal Terra, o ex-governador de São Paulo avalia a situação política do país tendo em vista as eleições

Mesmo com uma mídia que "se engajou" em torno da candidatura de José Serra, a eleição de outubro trará um resultado mau, "muito ruim" para a oposição, na avaliação do ex-governador de São Paulo Cláudio Lembo (DEM).

Em entrevista a Bob Fernandes, no portal Terra, Lembo afirma que a evocação de Mussolini feita por Fernando Henrique Cardoso ao falar de Lula "está fora dos preceitos democráticos e muito além do tom". Leia a entrevista:

Terra - Nas últimas horas, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso evocou Mussolini para se referir ao presidente Lula, o ex-dirigente do DEM, Jorge Bornhausen, aconselhou o presidente Lula a "não ingerir bebida alcoólica antes dos comícios", palavras dele, sendo de Bornhausen a famosa frase sobre o PT, "vamos acabar com essa raça". O presidente agora devolveu falando em "extirpar o DEM", e a chefe da Casa Civil fez uma nota oficial chamando o candidato da oposição de "aético e já derrotado". Como o senhor, experimentado também em crises, vê isso?
Cláudio Lembo -
É interessante porque a campanha ocorria com normalidade. E abruptamente aconteceram situações novas. Todas, quase todas, nasceram no ventre do próprio governo. Não foi a oposição que criou a complexidade da Casa Civil. Portanto, o que está se vivendo nasce também de equívocos do próprio governo.

Terra - Como o senhor interpreta o cenário todo?
Lembo -
É transitório e próprio dos momentos que se aproximam da eleição....mas o dramático será no dia 4 de outubro.

Terra - Por quê?
Lembo -
Porque não teremos mais partidos políticos, só um movimento social coordenado pelo hoje presidente Lula, o que é ruim para a democracia. Ou seja, o partido que é coordenado pelo presidente da República sobreviverá muito mais como movimento social do que como partido, porque ele não é orgânico.

Terra - E a oposição?
Lembo -
A oposição terá um resultado mau, muito ruim no pleito, e sai sem voz, sem maior possibilidade de apontar os erros do governo, de ser e fazer oposição. Também por erros da própria oposição.

Terra - E o papel da mídia? Qual é, qual deveria ser?
Lembo -
A mídia se engajou, a mídia tem um candidato...

Terra - Qual candidato?
Lembo -
O candidato do PSDB, o Serra...

Terra - E qual a consequência disso? Isso esquenta a conversa de botequim das últimas horas, isso...?
Lembo -
... A mída está engajada, tem um candidato que é o Serra e com isso se perdeu o equilíbrio, vem o desequilíbrio, é desse embate que nasce a intranquilidade... mas ela é transitória. Havendo só um grande vencedor no pleito, que é o movimento social, e estando a mídia engajada como que está... disso nasce essa intranquilidade.

Terra - Quando se chega a termos como "Mussolini", "candidato aético já derrotado" e "bêbado..."
Lembo -
Isso está fora dos preceitos democráticos e muito além do tom...

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