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Eleições 2010

Ciro e Mercadante na mira

por Celso Marcondes — publicado 29/01/2010 15h06, última modificação 19/08/2010 15h08
Não prosperou a conversa do presidente Lula com o governador Eduardo Campos a respeito dos rumos do deputado Ciro Gomes.

Não prosperou a conversa do presidente Lula com o governador Eduardo Campos a respeito dos rumos do deputado Ciro Gomes. Em geral, o noticiário dá conta que o PSB manteve a posição de esperar até março para definir o caminho de Ciro. Lula continua mais do que convicto da tese de que é melhor uma candidatura única do bloco governista para enfrentar a oposição. Ciro permanece defendendo a ideia de que tiraria votos de Serra e ajudaria Dilma com seu nome na parada. Lula gostaria que o deputado fosse candidato ao governo de São Paulo. Ciro, dizem, voltou das férias ainda mais refratário a essa proposta.

Apesar de ter caído nas pesquisas de intenção de votos mais recentes e não ter arregimentado nenhum apoio de outro partido até aqui para a disputa da presidência, o deputado cearense não sente nenhuma segurança para aceitar o desafio proposto por Lula. É verdade que sem o PC do B e o PDT - partidos que ele pretendia unir e que estão cada vez mais fechados com Dilma - o PSB teria uma candidatura muito minguada, sem tempo, nem dinheiro para enfrentar as máquinas petistas e tucanas. Sem falar nos problemas que apareceriam em várias disputas estaduais. Mas, tudo indica que também não haveria qualquer garantia para os peessebistas de que o PT paulista marchasse célere e unido junto com Ciro candidato em São Paulo.

É real a resistência de boa parte dos petistas locais ao nome de Ciro. Acreditam que não é nome forte para quebrar a hegemonia tucana no estado – seja Geraldo, seja Serra o candidato da situação – e que, pior, faria com que o partido perdesse muito voto de legenda para a renovação da Assembleia Legislativa. Não é à toa que as maiores resistências ao seu nome chegam da atual bancada de deputados do PT, embora existam importantes dirigentes do partido que acolham de bom grado a proposta de Lula.

Ora, argumentam os que não querem a versão de Ciro paulista, se ele não é nome para a vitória, por que não perder com um dos nossos? Na expectativa de conseguir ao menos 30% dos votos – tradição do PT – o momento seria o de definir entre os atuais postulantes aquele que teria maior potencial eleitoral. Com a desistência do deputado Antonio Palocci de entrar na disputa – ele já está integrado à coordenação da campanha de Dilma – sobram os nomes do prefeito de Osasco Emídio de Souza, do senador Eduardo Suplicy e do ministro Fernando Haddad, entre aqueles que gostariam de concorrer à vaga. Mas, além deles, o PT tem outros dois nomes, mais fortes eleitoralmente, que seguramente prefeririam disputar o Senado: Aloizio Mercadante e Marta Suplicy.

Ambos acreditam que poderiam se eleger senadores neste ano, Mercadante pela segunda vez, embora saibam que só há espaço para um concorrer. E ambos acreditam que seria muito difícil vencer os tucanos para o Executivo. É aí que entra a chamada “pressão das bases” e a conversa sobre os acordos futuros.
Mercadante ou Marta, descartada a saída Ciro, devem ser chamados a “fazer um sacrifício pelo partido”. Serão, ou melhor, já estão, sendo adulados por muita gente, com convites para cafés e almoços vindos à exaustão. O preço da troca, além da eterna gratidão partidária, poderia ser a garantia da acomodação em um ministério de um esperado governo Dilma. Mas para isso Lula teria que ser envolvido nas conversas, coisa que só faria quando e se desistisse da opção Ciro.

Quem sair para disputar o governo, deixa aberta para o outro a vaga para a concorrência ao Senado. Na bolsa de apostas, hoje está mais forte o nome de Mercadante para governador. Diz-se que pesquisas internas do partido apontaram que o nome do senador - derrotado nas mesmas urnas por Serra há quatro anos - teria maior aceitação dos eleitores do que o de Marta - derrotada nas urnas municipais há dois anos por Kassab.

Vai daí que ficamos assim: quanto mais crescer a resistência de Ciro pela opção paulista, mais vai crescer dentro do PT a tentativa de unir o partido para seduzir Mercadante. Não é o seu sonho de consumo, mas também não deixa a porta fechada.

Não se sabe se o aumento da pressão arterial do presidente Lula neste dia 27, em Recife, teve a ver com a conversa dele com o governador Eduardo Campos. É muito mais provável que seja resultado do ritmo alucinante que impõe ao seu trabalho. Mas que o “imbroglio” paulista está o incomodando, com certeza, isso está. Só que tão ou mais incomodada, está a direção do seu partido em São Paulo, que vê janeiro se encerrar sem saber sequer qual via irá tomar.

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