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China quer liderar carros sustentáveis

por Brasil Econômico — publicado 14/10/2011 10h14, última modificação 14/10/2011 10h15
De líder em volume a líder em inovação. Esse é o anseio dos chineses, maiores fabricantes de veículos do mundo

Por Micheli Rueda, do Brasil Econômico

Com estratégia focada no desenvolvimento de novas tecnologias, a indústria automotiva chinesa quer aliar qualidade, segurança e, principalmente, questões ambientais, reservando menor atenção a recordes de produção.

Somente no ano passado, a China produziu 18.264.700 veículos, enquanto o Brasil fabricou 3.648.358 unidades, conforme dados da Organização Internacional dos Fabricantes de Veículos (OICA).

Dados mais recentes mostram que, de janeiro a agosto deste ano, a produção do gigante asiático somou 11.855.200 veículos.

O plano traçado pela indústria local prevê alcançar vendas de 1 milhão de carros verdes até 2015, integrando as tecnologias de carros elétricos e híbridos. Com isso, a expectativa é que em 2020 a China seja o país número um no mercado de veículos com nova fonte de energia. O governo chinês gastará 10 bilhões de iuanes por ano para apoiar a indústria.

"O ano de 2011 marca um momento de transição. Nos últimos 10 anos, a indústria automotiva chinesa vem se desenvolvendo. Agora, chegou a hora em que é preciso inovação para continuar progredindo", afirmou Wang Xia, presidente do Conselho do Comitê de Promoção do Comércio Internacional de Automóveis da China, durante o Fórum Global Automotivo 2011, em Chengdu, China, que comemorou os 10 anos de participação do país na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Além do aumento das emissões de gases poluentes, a preocupação da indústria automotiva da China com a mobilidade sustentável considera a cadeia de fornecimento de petróleo.

"A lacuna entre oferta e demanda está gradualmente aumentando, por isso temos que diversificar os combustíveis", afirmou Katsuaki Watanabe, assessor sênior da Toyota Motor Corporation no Japão.

Para desenvolver tecnologias inovadoras e, consequentente, melhorar a imagem de seus veículos, ainda ligeiramente defasados em relação aos carros europeus, americanos e japoneses no que diz respeito à tecnologia e ao design, a indústria automotiva da China acredita que uma das mudanças será o preço dos veículos.

Após anos apostando em preços competitivos no mercado internacional, a indústria chinesa percebeu que esta não é a única maneira de ganhar participação de mercado, tendo em vista que seu efeito é restrito e limita o desenvolvimento.

"Temos preços baixos, mas não é bom o suficiente. Qualidade é a chave para o crescimento das marcas chinesas", disse Xu Liuping, presidente da Chang'an Automobile Group.

Diferentes apostas

Sem um modelo de energia limpa definido, a busca das montadoras é pelo desenvolvimento ou aprimoramento de tecnologias já existentes, caso dos veículos elétricos (EV) e híbridos, por exemplo.

"Vamos entrar em uma era de mega competição", destaca Osamu Masuko, presidente da Mitsubishi Motors.

Com prioridade na preservação do meio ambiente, a aposta da empresa japonesa é no carro elétrico. A justificativa para a escolha está na flexibilidade de obtenção de energia para esses veículos.

Por sua vez, a compatriota Toyota vê futuro para a tecnologia híbrida, que permite efetuar longos percursos sem necessidade de recarga - uma limitação dos veículos elétricos.

"Buscamos a solução certa, no momento certo e para o veículo certo", afirmou Watanabe.

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