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Eleições 2010

Cenário eleitoral não é estático

por Celso Marcondes — publicado 21/10/2009 15h39, última modificação 19/08/2010 15h42
Há um mês, pesquisa IBOPE apresentou como grande novidade o crescimento de Ciro Gomes na corrida presidencial. Ao mesmo tempo, apontava quedas nos percentuais de José Serra e Dilma Roussef, os dois primeiros colocados, e a entrada em cena da senadora Marina Silva, como outros destaques.

Há um mês, pesquisa IBOPE apresentou como grande novidade o crescimento de Ciro Gomes na corrida presidencial. Ao mesmo tempo, apontava quedas nos percentuais de José Serra e Dilma Roussef, os dois primeiros colocados, e a entrada em cena da senadora Marina Silva, como outros destaques. Menos de um mês depois – e antes que qualquer outra pesquisa respeitável tenha sido divulgada – os observadores mais atentos já têm notado algumas nuances no cenário.

O que parece mais evidente é que as últimas semanas trouxeram boas notícias para o governo e sua candidata. Antes de tudo, no clima geral do País. A vitória da candidatura do Rio de Janeiro na disputa pelas Olimpíadas de 2016 e o reconhecimento unânime, até da FIESP, de que a crise econômica já faz parte do passado no Brasil, impulsionam um sentimento de otimismo na sociedade. E essa sensação costuma ser uma alavanca subjetiva para quem está no poder em ano eleitoral. Sobretudo para quem conta com cerca de 80% de aprovação, como o governo Lula.

Somadas a outras notícias não tão novas, como a descoberta de petróleo nas camadas pré-sal – e campanhas publicitárias da Petrobras alardeando -, os preparativos para a Copa do Mundo de Futebol, em 2014, e o sucesso da ministra Dilma em seu combate pessoal contra o câncer, forma-se um quadro geral, repito, subjetivo, favorável ao governo.

Porém, como o presidente Lula sabe muito bem que subjetividade não é suficiente, ficou claro que ele e o PT mexeram-se bastante depois dos incômodos resultados daquela pesquisa de setembro. De lá para cá, anotamos seus movimentos:

1. Ciro Gomes transferiu seu título eleitoral para São Paulo, deixando aberta a porta para poder se candidatar, como prefere Lula, ao governo do Estado ao invés de disputar, como prefere Ciro, a presidência da República.

2. O PT multiplicou seus esforços atrás dos aliados para forjar a coligação entorno da ministra Dilma. Jantares, almoços e encontros se multiplicaram com dirigentes do PMDB, do PDT, do PC do B, do PR, do PRB, isolando iniciativas que poderiam levar esses partidos para o apoio a Ciro ou Serra.

3. O PT montou seu comando de campanha para a presidência e até flertou com Ben Self, o marqueteiro americano responsável pela vitoriosa campanha de Barack Obama na internet.

4. Voltou a se intensificar o calendário de eventos com a presença do presidente, acompanhando sempre por Dilma, por todo o País.

Enquanto tudo isso ocorria em 30 dias, do lado de lá do muro, a candidatura oposicionista de José Serra teve pouco a comemorar: a intensificação das campanhas publicitárias do governo do Estado de São Paulo e da Prefeitura da capital, que ajudam na divulgação de seu nome, e o crescimento da presença do governador em atividades pelo País.

Mas em três frentes muito importantes nada avançou nas últimas semanas pelos lados do PSDB. Permanece a disputa interna com o governador Aécio Neves, não existe um comando de campanha e não aconteceu nada de importante na relação com outros eventuais partidos aliados. Também nada de novo aconteceu no Estado de São Paulo: Geraldo Alckmin lidera folgado as pesquisas, mas permanece sem ser bancado pelo seu partido.

O que o tempo tem ajudado a desvendar é a estratégia de Aécio. Mineiro, fica na espera. Se Serra continuar patinando ou retrocedendo, ele vira alternativa automática em caso de desistência do governador paulista, que optaria aí pela disputa à reeleição em São Paulo. Neste cenário, representaria a oposição contra Dilma. Se ela vencer, ele não perde nada, vira o grande líder nacional da oposição. Mas se Dilma não deslanchar, vira candidato favorito. Parte respeitável dos aliados do DEM concorda com o raciocínio e já se declara aecista.

E Ciro Gomes? Ele incrementou bastante sua agenda e a presença na mídia, mas não deu nenhum passo significativo no quesito costura de alianças. Bem que tentou, mas, até aqui, sem sucesso. O mesmo se deu com Marina Silva, até aqui reduzida ao PV. Alianças para Marina e Ciro significam tempo (na TV) e dinheiro. Solitários, PV e PSB teriam campanha bem limitada.

Tudo isso junto pode resultar em poucas novidades nas próximas pesquisas. Mas, se houverem, é de se esperar que sejam favoráveis à candidata do governo