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Caso Celso Daniel: primeiro acusado é condenado a 18 anos de prisão

por Redação Carta Capital — publicado 18/11/2010 18h47, última modificação 24/11/2010 11h50
Marcos Roberto Bispo dos Santos está foragido. Júri popular acatou argumentos do promotor
Caso Celso Daniel: acusado é condenado a 18 anos de prisão

O ex-prefeito de Santo André foi assassinado em 2002. Júri popular acatou argumentos do promotor contra o assassino

[caption id="attachment_12887" align="alignleft" width="300" caption="O ex-prefeito de Santo André foi assassinado em 2002. Júri popular acatou argumentos do promotor contra o assassino"]
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(atualizado às 18h45)

O primeiro dos sete réus denunciados pelo assassinato do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel, foi condenado nesta quinta-feira 18 a cumprir 18 anos de prisão. Marcos Roberto Bispo dos Santos é acusado de homicídio duplamente qualificado pelo júri popular reunido no Fórum de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo.

O júri, composto por dois homens e cinco mulheres, acatou a argumentação do promotor Francisco Cembranelli. O réu não compareceu ao julgamento e já estava com a prisão preventiva decretada desde o dia 12, antes da sessão, que começou na manhã de hoje.

Adriano Marreiro dos Santos, advogado de defesa de Marcos Roberto Bispo dos Santos, havia alegado a inexistência de provas contra seu cliente e afirmou que ele foi torturado pela polícia. Marreiro dos Santos pediu sua absolvição e lembrou que seu cliente foi citado apenas por outros réus do processo. Disse também que o acusado sequer estava no local do sequestro no momento em que ele aconteceu.

Bispo foi acusado de ser o motorista de um dos carros que cercou o automóvel do então prefeito de Santo André no bairro de Santana, em São Paulo, quando ele foi sequestrado. Outras sete pessoas são acusadas pela ação, que resultou posteriormente no assassinato de Celso Daniel, no dia 20 de janeiro, quando seu corpo foi encontrado na estrada de Juquitiba com as marcas de 8 disparos de armas de fogo.

O Ministério Público, através do promotor Francisco Cembranelli, defendeu a tese de que o crime não foi comum. Segundo ele, o assassinato foi resultado de uma grande trama política: Daniel teria se oposto aos desvios que passaram a existir num esquema de propinas que alimentaria as campanhas eleitorais do Partido dos Trabalhadores e por isso foi eliminado. Para Cembranelli, Celso Daniel teria descoberto que parte do dinheiro alimentaria contas pessoais em lugar de ir para o caixa do partido.

Na hipótese do promotor - contestada na época pela Polícia Civil, que defendia a tese de crime comum - o empresário Sérgio Gomes da Silva, o “Sombra”, que o acompanhava no veículo no momento do sequestro, seria um dos mandantes da ação. Ambos voltavam de um jantar no restaurante Rubayat quando aconteceu a abordagem e o sequestro.

Gomes da Silva era amigo do prefeito e foi seu assessor na prefeitura andreense. Ele nega seu envolvimento, tanto no crime, como na participação de um grupo que pressionaria as empresas prestadoras de serviços à Prefeitura para contribuir financeiramente com o PT.

Quem leu a sentença foi o juiz Antonio Augusto Galvão de França Hristov, da 1ª Vara de Itapecerica. Ele endossou a pena, mas o resultado da votação dos jurados é sigiloso. O acusado tem direito de recorrer ao Tribunal de Justiça de São Paulo. Os julgamentos dos demais acusados ainda não estão marcados, mas é seguro que serão muito influenciados pela sentença proferida contra Bispo.

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