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Caso Celso Daniel: advogado alega que acusado foi torturado pela polícia

por Redação Carta Capital — publicado 18/11/2010 17h05, última modificação 18/11/2010 17h13
Júri popular ouve a acusação da promotoria e a defesa de Marcos Roberto Bispo dos Santos

Júri popular ouve a acusação da promotoria e a defesa de Marcos Roberto Bispo dos Santos

Começou na manhã desta quinta-feira 18 o julgamento, em júri popular, do primeiro acusado pelo assassinato do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel ocorrido em janeiro de 2002.

O advogado de defesa de Marcos Roberto Bispo dos Santos afirmou que não há provas contra seu cliente e que ele foi torturado pela polícia. Bispo não compareceu ao julgamento no Fórum de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, e está com a prisão preventiva decretada.

Sua absolvição foi pedida pelo advogado Adriano Marreiro dos Santos, ao lembrar que ele foi citado apenas por outros réus do processo. Disse também que o acusado sequer estava no local do sequestro no momento em que aconteceu. O julgamento foi suspenso depois da apresentação da defesa.

Bispo seria o motorista de um dos carros que cercou o automóvel do então prefeito de Santo André no bairro de Santana, em São Paulo, quando ele foi sequestrado. Outras sete pessoas são acusadas pela ação, que resultou posteriormente no assassinato de Celso Daniel.
O Ministério Público, através do promotor Francisco Cembranelli, defendeu a tese de que o crime não foi comum. Segundo ele, o assassinato foi resultado de uma grande trama política: Daniel teria se oposto aos desvios que passaram a existir num esquema de propinas que alimentaria as campanhas eleitorais do Partido dos Trabalhadores e por isso foi eliminado. Para Cembranelli, Celso Daniel teria descoberto que parte do dinheiro alimentaria contas pessoais em lugar de ir para o caixa do partido.

Na hipótese do promotor - contestada na época pela Polícia Civil, que defendia a tese do crime comum - o empresário Sérgio Gomes da Silva, o “Sombra”, que o acompanhava no veículo no momento do sequestro, seria um dos mandantes da ação.

Gomes da Silva era amigo do prefeito e foi seu assessor na prefeitura andreense. Ele nega seu envolvimento, tanto no crime, como na participação de um grupo que pressionaria as empresas prestadoras de serviços à Prefeitura para contribuir financeiramente com o PT.

O julgamento pode ser retomado ainda nesta quinta-feira 18.

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