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Casa de Ferreiro

por Leandro Fortes — publicado 04/10/2012 16h15, última modificação 04/10/2012 16h15
A honestidade intelectual ao falar da imprensa americana e suas relações com os republicanos nos EUA não se aplica em textos sobre a política brasileira
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Na falta de um modelo para o financiamento à informação para a sociedade, vai consolidar um círculo fechado entre grandes anunciantes, grandes agências e grandes veículos

Em coluna publicada no IG, o jornalista Lucas Mendes, correspondente da TV Globo em Nova York, escreveu, corretamente, o seguinte:

"O jornal de maior circulação do país é o conservador Wall Street Journal, pró Romney. Dos cinco radialistas com maior audiência, quatro tem sido, disparado, conservadores radicais. Na televisão por assinatura a Fox, voz de Romney, dá uma surra em todas outras juntas."

A minha pergunta é a seguinte: Lucas Mendes escreveria isso sobre eleições no Brasil? Diria, por exemplo: "O jornal de maior circulação do país é a conservadora Folha de S.Paulo, pró Serra"? Diria o mesmo sobre O Globo, Estadão e Veja? Ou mesmo sobre a TV Globo?

Respondo: nunca.

A honestidade intelectual utilizada por Lucas Mendes ao falar da imprensa americana e suas relações com os republicanos nos Estados Unidos não se aplica em textos, cá e lá, sobre a política brasileira. Não trata sequer de espectros ideológicos: na imprensa brasileira existem partidos de esquerda, mas nunca de direita.

E isso é um elemento claríssimo de perpetuação da indigência jornalística nacional que se protege dessa crítica, aos berros, sob a falácia permanente da defesa da liberdade de imprensa.