Você está aqui: Página Inicial / Política / Carga pesada

Política

Palocci

Carga pesada

por Sergio Lirio publicado 26/05/2011 10h15, última modificação 27/05/2011 10h43
Para preservar o ministro, a presidenta cede à base aliada, pede socorro a Lula e se desgasta
REUNIAO DO LULA COM BASE NO SENADO

Para preservar ministro, a presidenta cede à base aliada, pede socorro a Lula e se desgasta

Demorou além do necessário, mas a presidenta Dilma Rousseff- finalmente pronunciou-se sobre o sucesso empresarial de seu mais próximo auxiliar, o chefe da Casa Civil, Antonio Palocci. Pena que não tenha alimentado nenhuma dúvida a respeito da natureza dos serviços prestados pela consultoria do ministro e tenha optado por afirmações acacianas. Na quinta-feira 26, durante evento no Palácio do Planalto, Dilma, ao lado de Palocci, condenou a “politização” do episódio (mas esse não é um tema “político”?) e garantiu que ele vai dar “todas as explicações aos órgãos de controle, inclusive ao Ministério Público, nos próximos dias”.

Espera-se. A conta da defesa de Palocci tem ficado cada vez mais salgada. Em menos de três dias, Dilma experimentou uma derrota estrondosa, cujo sabor ficou mais amargo por vir acompanhada de uma provocação de um aliado-problema, o peemedebista Henrique Eduardo Alves, e teve de ceder ao obscurantismo das bancadas religiosas e do deputado Jair Bolsonaro, ao suspender a distribuição nas escolas públicas de um kit de combate à homofobia. Embora a própria presidenta e o Planalto tenham afirmado que a decisão de rever a distribuição do kit seja dela, parlamentares católicos e protestantes declararam que a posição contra uma CPI para investigar Palocci estava condicionada ao recuo na proposta.

Por fim, Dilma viu-se obrigada a recorrer a seu mentor, o ex-presidente Lula. Na quarta-feira 25, Lula passou o dia em Brasília em intensa articulação. Conversou com a bancada de senadores do PT, tomou café com líderes aliados na casa do senador José Sarney e teve longa reunião com a presidenta e com Palocci. Ao ministro alertou, segundo relatos de lideranças petistas: “Você tome cuidado porque sua situação no Congresso não é boa. Todo mundo está insatisfeito com sua conduta”. Não se referia ao período em que o chefe da Casa Civil manteve uma concorrida consultoria e fez fortuna, mas ao atual, em que é incapaz de se entender com as demandas da base governista tão ampla quanto heterogênea. Ao se pronunciar na quinta 26, ainda que baseada em uma defesa banal do auxiliar, Dilma talvez tenha compreendido que sua ausência do debate poderia ser interpretada como um sinal de inapetência política. Ou pior. Sua convalescença de uma pneumonia tem alimentado uma sorte grande de boatos a respeito de sua saúde. Fontes no Planalto garantem, porém, que a presidenta está totalmente recuperada.

Confira matéria completa na Edição 648 de CartaCapital

registrado em: