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Política

Eleições 2014

Campos critica legado deixado por PT e PSDB em relação à política energética

por Marsílea Gombata publicado 09/05/2014 15h35
Ao lado da vice Marina Silva, pré-candidato do PSB afirma que há 46% de chance de problemas com fornecimento de energia até dezembro
Marsílea Gombata
marina

Marina e Campos, em São Paulo, após reunião com técnicos do setor de energia

O pré-candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, criticou, nesta sexta-feira 9, o legado da política energética deixado pelo PT e pelo PSDB e disse que ambos os partidos erraram. “Hoje é o sujo falando do mal lavado. A crítica que o PSDB faz ao PT é a mesma crítica que o PT fazia em 2001. Então erraram os dois: faltou planejamento e está faltando transparência”, disse. “E essa crise é mais grave, pois está tocando no conjunto do sistema. Ela tem uma bomba relógio que as pessoas não sabem.”

Em São Paulo para reunião com a vice, Marina Silva, e técnicos do setor de energia, Campos afirmou que cálculos técnicos indicam hoje 46% de chance de o Brasil ter problemas sérios no fornecimento de energia até dezembro. “O governo não pode mentir para o povo brasileiro por interesses eleitorais diante de uma situação grave de um setor estratégico como esse. Tem jeito de superar essa crise se o governo tiver responsabilidade”, disparou.

Segundo Campos, o governo tomou emprestado da conta do consumidor, sem consultá-lo, para pagar a dívida com as distribuidoras de energia. “O governo endividou as famílias brasileiras sem abrir o jogo sobre a situação”, afirmou ao ressaltar a quantia de 18 bilhões de reais (necessários para “ajudar” o setor elétrico) e a escassez em regiões agropecuárias, como as produtoras de leite em Minas Gerais de que “estão tendo de comprar pequenos geradores para não perder a produção, diante da interrupção no fornecimento de energia”.

O líder do PSB afirmou também que a expressão da energia renovável na matriz energética brasileira voltou a ser menor do que era em 2003. “Em 2003 eram 43,9% da matriz energética vindo de energia renováveis, chegamos a 47,3% quando assumimos compromisso de redução em Copenhagen e desde lá fomos caindo. Agora chegamos a 43,1%”, lembrou o pré-candidato ao classificar a diminuição como um sinal da necessidade de se enfrentar as dificuldades postas à mesa. “Torcemos para que o governo tenha a responsabilidade que ainda não demonstrou ter para deixar de tomar as decisões que precisamos antes do processo eleitoral, no sentido de evitar o pior. O governo deve ter a responsabilidade de ouvir os técnicos.”

Caso seja eleito, ele prometeu, a diversidade na matriz energética do País será um dos principais planos de seu programa de governo, com atenção especial para investimentos e leilões de energia solar, energia eólica, geração distribuída e geração de eficiência energética. “Desde o apagão de 2001 não levamos a cabo uma política consistente de produzir a mesma coisa com menos energia”, lembrou.

Questionado se recorreria ao aumento da tarifa para compensar os problemas no setor, Campos desconversou. “O aumento de tarifa já está acontecendo e não está resolvendo o problema. Tem muitos estados nesse momento com reajuste de tarifa de 18%, 14%. O governo prometeu ao brasil que ia abaixar a tarifa, quando ela está disparando. A questão é a concepção do modelo.”

Inflação. Além de tecer críticas à política energética brasileira, Campos condenou ainda a política econômica levada a cabo por Dilma, assim como o modelo de crescimento puxado pelo consumo no Brasil. “O que corrói conquistas sociais é inflação em alta. A inflação em alta gera um movimento, sobretudo em um país que teve crescimento puxado pelo consumo. Isso faz com que o comércio compre menos produto da indústria, a indústria passe a produzir menos, e a gente começa a rodar em uma roda que quem vai pagar esse preço é o emprego”, disse. “O governo, em nome de um certo crescimento, afrouxou o compromisso com o tripé macroeconômico. O que aconteceu? Três anos do menor crescimento econômico que esse País já teve, desemprego na indústria, inflação lá em cima e o maior juro real do planeta.”

Datafolha. Confrontado com o resultado apresentado pela última pesquisa Datafolha, em que aparece com 11% das intenções de voto, Campos tentou ser otimista. “Todas essas pesquisas mostram que, passo a passo, o desejo de mudança só vai ampliando. Eu vejo as pesquisas com grande otimismo. Porque se 25% da população dizem que nos conhece e a gente consegue chegar a 11% em simulações, então, estou completamente confiante. A eleição está totalmente em aberto.”