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Brasil é o quarto maior credor dos EUA

por Sul 21 — publicado 16/07/2011 09h00, última modificação 06/06/2015 18h16
O País detém quase 207 bilhões de dólares em papéis da dívida pública americana, bem abaixo dos 1,1 bilhão emprestados pela China

Outrora o detentor de uma das maiores dívidas externas do planeta, o Brasil vive hoje situação oposta: pode ser uma das principais vítimas em caso de calote dos Estados Unidos. No momento, a economia brasileira tem quase  207 bilhões de dólares em papéis de dívida a receber – está abaixo apenas de China, Japão e Reino Unido. Em junho do ano passado, os Estados Unidos deviam 164 bilhões de dólares ao Brasil – um percentual de dívida 26,3% inferior ao atual.

O principal credor dos Estados Unidos é a China, com 1,15 trilhão de dólares. Os japoneses detêm 907 bilhões de dólares em papéis de dívida norte-americanos, enquanto os ingleses compraram 333 bilhões de dólares. Somados, os países exportadores de petróleo têm mais dinheiro a receber dos EUA do que o Brasil – 222 bilhões de dólares, em dados de abril deste ano. Porém, o crédito cresceu apenas 5,4% em relação ao mesmo período em 2010, percentual bem inferior ao do Brasil. O maior crescimento foi o do Reino Unido: hoje, os EUA devem aos ingleses 252,4% a mais do que deviam em junho do ano passado.

Na medida em que continuam as divergências entre republicanos e democratas sobre o pacote do presidente Barack Obama, aumenta a possibilidade da economia norte-americana viver uma situação de bancarrota, com graves efeitos sobre todo o mundo. Obama pede ao Congresso que autorize a ampliação do limite da dívida, como forma de manter em suspenso os pagamentos e evitar um endividamento de dimensão incontrolável. Em maio, a dívida dos EUA teria alcançado os 14,3 trilhões de dólares, valor considerado como teto para que os juros ainda sejam pagáveis. Se não houver acordo até o dia 2 de agosto, os EUA serão incapazes de quitar suas dívidas pela primeira vez na história.

A possibilidade de que não haja acordo, em princípio, é baixa. No entanto, o mercado financeiro internacional começa a dar sinais de que o altamente improvável já não é visto como tão improvável assim. Um comunicado sobre estratégias de investimento divulgado pela Standard & Poors afirma: “Apesar da maioria das pessoas em Wall Street não considerar que possa acontecer o impensável, ou seja, que o Congresso não se ponha de acordo para aumentar o teto da dívida, a cada dia que passa ficamos mais preocupados com o que possa suceder”.

Segundo informações do Departamento de Tesouro dos EUA, de cada dólar gasto pelo governo, 0,40 centavos de dólar são emprestados. O déficit público dos EUA representou, em 2011, 11% do PIB do país. Para diminuir esse déficit, Barack Obama propõe cortar 4 trilhões de dólares em 12 anos, reformulando programas sociais como o Medicare, reduzindo o orçamento da Defesa e restringindo vantagens fiscais para as pessoas físicas e jurídicas de maior renda. Ideias que batem de frente com os republicanos – que querem privatizar o Medicare e manter o orçamento bélico intacto, cortando verbas da educação e das políticas ambientais.

*Publicado originalmente em Sul21.

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