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Bônus e executivos financeiros

por Ricardo Young — publicado 25/02/2010 15h14, última modificação 08/09/2010 15h15
Encontra-se em audiência pública no sítio do Banco Central do Brasil a minuta da resolução que pretende estabelecer critérios para a remuneração dos altos cargos nos bancos, atendendo recomendação do G20.

Encontra-se em audiência pública no sítio do Banco Central do Brasil a minuta da resolução que pretende estabelecer critérios para a remuneração dos altos cargos nos bancos, atendendo recomendação do G20.

Não se trata, portanto, de medida que atingirá apenas os executivos brasileiros, mas todo o sistema financeiro internacional. As regras serão diferentes em cada país, mas o objetivo delas será reduzir globalmente os riscos do setor. É a contrapartida que os governos dos 20 maiores países do mundo estão exigindo por terem despejado alguns bilhões de dólares para salvar os bancos da falência, durante a crise de 2008.

Entre os critérios propostos pelo BACEN, destacamos as seguintes:

- Pagamento dos bônus deve ser parcelado em, no mínimo, três anos;

- 50% do total da bonificação devem ser pagos em ações da instituição ou em ativos vinculados ao valor de mercado dos bancos;

- Quanto maior o cargo, maior o tempo de parcelamento para receber o bônus;

- Executivos de áreas de risco não poderão ter sua bonificação vinculada ao desempenho das aplicações que eles são obrigados a fiscalizar;

- O cálculo do bônus deverá levar em conta o desempenho individual, o desempenho do setor e o resultado geral da empresa;

- Bancos com ações negociadas em Bolsa ou que possuam comitê de auditorias precisarão organizar um comitê de remuneração com mandato fixo de no máximo dez anos e subordinado ao Conselho de Administração;

- A política de remuneração adotada precisará ser divulgada com o balanço dos bancos

A audiência pública termina no di a 2 de maio e é possível a qualquer cidadão opinar. Basta acessarwww.bcb.gov.br , procurar a área de audiências públicas e postar o comentário.

Depois da consulta, a medida será regulamentada e a expectativa é que passe a valer a partir de 2011. Mas, já a partir deste ano, os bancos brasileiros de capital aberto terão de informar os salários e os bônus pagos aos principais executivos.

Os bancos públicos já fazem isso. No BB, o salário do presidente está em torno de 40 mil reais por mês e de diretor, por volta dos 30 mil. Os executivos não recebem bônus, apenas um adicional na forma de participação nos lucros (que também é pago a todos os funcionários, de maneira proporcional ao salário de cada um e ao desempenho avaliado durante o ano). Quando aos bancos privados, levantamento feito pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo dá conta de que a remuneração dos executivos dos dois maiores bancos do país superou a quantia de 500 milhões de reais.

Para a sociedade, mais importante do que saber quanto se paga ao executivo é verificar de que maneira se está pagando. A quantia vai descapitalizar a instituição? Os meios utilizados para se chegar ao desempenho que permitiu o pagamento deste prêmio foram lícitos e éticos? Qual o resultado deste desempenho para a sociedade: mais qualidade de vida? Desemprego?

Um dos pilares da responsabilidade social empresarial é, justamente, a transparência nas informações e na contabilidade das empresas. Assim, independente de legislação, uma empresa socialmente responsável deveria informar estes ganhos fixos e variáveis não apenas para acionistas, mas para todos os seus públicos de interesse. Seria um problema se, no Brasil, os funcionários soubessem a diferença entre seus salários e aqueles dos executivos mais graduados? Sim. E este dilema obrigaria todas as partes a buscar solução para o impasse. Quem sabe distribuindo melhor os dividendos e estabelecendo uma política de remuneração mais equânime. Talvez, esta política mais igualitária retivesse talentos em todos os níveis e garantisse ao negócio mais estabilidade nas turbulências.

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