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Paralisação

Rio: Bombeiros protestam contra prisões de colegas

por Redação Carta Capital — publicado 06/06/2011 11h35, última modificação 06/06/2011 18h01
Militares e familiares de detidos tomam escadarias da Assembleia Legislativa; deputados criam frente parlamentar e prometem trancar pauta se bombeiros não forem soltos
Bombeiros acampam no Rio em protesto contra prisões

Bombeiros e colegas de militares detidos em protesto fazem vigília na frente da Assembleia Legislativa, no centro do Rio, em maio. Foto: Fabio Motta/Agência Estado

Em protesto contra , no fim de semana, colegas e parentes dos detidos tomaram as escadarias do Palácio Tiradentes, sede da Assembleia Legislativa do Rio.

A vigília, que conta com barracas de camping e uma cozinha improvisada, teve início na madrugada de segunda-feira 6, quando cerca de 30 pessoas se dirigiram ao local para acampar. Eles estão em barracas de camping e numa delas improvisaram uma cozinha, onde estão sendo preparados sucos e sanduíches. A Polícia Militar acompanha o ato, com três viaturas do batalhão do centro e duas do Batalhão de Choque.

Do lado de dentro, os protestos já surtem efeito. Deputados decidiram criar uma frente parlamentar em defesa da categoria e prometem trancar a pauta se os militares não forem soltos.

A situação dos militares será discutida em uma reunião marcada para esta tarde, no gabinete do deputado estadual Marcelo Freixo (P-SOL). Foram convidados para participar da reunião representantes da categoria, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) e da Defensoria Pública.

Do lado de fora, o movimento se intensificou pela durante a manhã. Nos pilares do palácio, uma faixa foi estendida com os dizeres: “Resistir é preciso”. Os protestos também foram expostos em faixas menores com mensagens como “Bombeiros são heróis; não são vândalos” e “Vândalo é quem prende herói”. Na véspera, um grupo de cerca de 50 bombeiros promoveu uma marcha na Ponte Rio-Niterói para protestar contra a prisão dos colegas.

Eram as primeiras reações contra as declarações do governador Sérgio Cabral (PMDB), que no dia seguinte à ocupação chamou os militares de “vândalos” e demitiu o comandante-geral do Corpo de Bombeiros no Estado, coronel Pedro Machado. Para retirar os manifestantes do pátio do quartel, o governador recorreu à tropa de choque da PM e ao Batalhão de Operações Especiais (Bope).

No dia seguinte, Cabral voltou a recriminar os atos, na tentativa de mostrar que a ocupação era promovida por uma minoria entre os 17 mil bombeiros do Estado interessada em desestabilizar seu governo.

“Esse grupo qualificou de ‘manifestação pacífica’ a invasão para a qual levou crianças junto a marretas, utilizadas em agressões. Ninguém planeja levar marretas para ‘manifestações pacíficas’. E é incomensurável a gravidade de unir armas a crianças – expondo-as a todo tipo de risco – por parte daqueles que se apresentaram como líderes da manifestação”, declarou o governador.

Foram organizados protestos também em Campo Grande, na zona oeste da cidade, na Barra da Tijuca (zona oeste) e em Angra dos Reis, município fluminense onde atuavam 90 dos 429 presos - com as prisões, Angra ficou com apenas metade do efetivo.

A ocupação do quartel geral dos Bombeiros, na noite de sexta-feira, aconteceu em meio aos protestos da categoria por aumento salarial. Eles exigem que o piso atual dos militares, de 950 reais, seja ajustado para 2 mil reais. Pedem também melhores condições de trabalho. No quartel da corporação, que teve o portão principal derrubado, dez policiais militares fazem a segurança. O portão, derrubado durante a manifestação, foi recolocado.

Na manhã desta segunda-feira, a Associação de Cabos e Soldados do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro informou a intenção de se reunir com representantes de outras entidades para traçar os rumos das negociações com o governo do Estado.

Segundo o secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, os militares amotinados podem ser expulsos. Antes, devem agora responder administrativamente e criminalmente pelo ato. O processo deverá ser aberto pelo Ministério Público.

De acordo com o novo comando do Corpo de Bombeiros, os detidos serão autuados por motim, dano em viatura, dano às instalações e impedir e dificultar a saída para socorro e salvamento, crimes tipificados no Código Penal Militar. As penas variam de dois a dez anos de prisão.

A auditoria da Justiça Militar do Rio informou que ainda não recebeu a comunicação oficial das prisões e que “aguarda a distribuição do plantão”, já que os bombeiros foram presos no fim de semana. Também não há, até agora, qualquer informação sobre pedidos de habeas corpus.

Com informações da Agência Brasil

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