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Preconceitos

Bolsonaro diz que "está se lixando" para movimento gay

por Bruno Huberman — publicado 30/03/2011 17h08, última modificação 30/03/2011 18h15
A Corregedoria e o Conselho de Ética da Câmara analisam representações, enquanto o deputado carioca ataca gays e diz que sogro é “negão”. Assista ao vídeo

A Corregedoria e o Conselho de Ética da Câmara analisam representações, enquanto o deputado carioca ataca gays e diz que sogro é “negão”. Assista ao vídeo

O cerco fechou para o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) na Câmara. Mais de 20 deputados já encaminharam três diferentes representações contra o parlamentar carioca. O Conselho de Ética da Casa, como já dito por um de seus membro à CartaCapital na terça-feira 29, o deputado Chico Alencar (PSol-RJ), já analisa o caso e pode recomendar ao plenário a perda de mandato do pepista. E finalmente, nesta quarta-feira 30, o presidente da Câmara, o deputado Marcos Maia (PT-RS), encaminhou à Corregedoria outra representação contra Bolsonaro.

"Já encaminhei as representações à Corregedoria da Câmara para que, conforme o regimento da Casa adote providências cabíveis. Minha opinião é a de que declarações do deputado Jair Bolsonaro são lamentáveis quando lutamos pelo fim das desigualdades e da intolerância, qualquer que seja. Palavras racistas e discriminatórias não fazem parte do Brasil que queremos. São herança de um passado que não aceitaremos que se repita nunca mais", disse Marco Maia em sua página no microblog Twitter.

Enquanto isso, Bolsonaro tenta escapar de algumas acusações. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o carioca quis se desvencilhar do rótulo de “racista”: “A minha esposa é afrodescendente e o meu sogro é negão!”

No entanto, de “homofóbico”, o carioca parece não se envergonhar. “Estou me lixando para esse pessoal aí [do movimento gay]. Eles criaram agora a Frente Parlamentar de Combate à Homofobia, a frente gay. O que esse pessoal tem a oferecer para a sociedade? Casamento gay? Adoção de filhos? Dizer para vocês que são jovens que, no dia em que vocês tiverem um filho, se for gay, é legal e vai ser o ‘uhuhu’ da família? Esse pessoal não tem nada a oferecer”, declarou ao chegar ao velório do ex-vice-presidente da República, José Alencar, no Palácio do Planalto, em Brasília.

Entenda o caso

Jair Bolsonaro virou alvo de críticas nos últimos dias após a entrevista à cantora Preta Gil durante o programa CQC, da rede Bandeirantes, na noite da segunda-feira 28. Ao ser questionado se deixaria o seu filho namorar uma negra, respondeu: “Preta, não vou discutir promiscuidade com quer que seja. Eu não corro esse risco, e meus filhos foram muito bem educados e não viveram em um ambiente como, lamentavelmente, é o teu.”

“Eu acho lamentável. Isso é um abuso da representatividade parlamentar. Ele se utiliza do seu cargo para ofender. Eu fiquei chocado. Independente de filiação partidária, ele é um deputado e tudo tem um limite”, afirma o deputado Jean Wyllys (Psol-RJ), que é um dos deputados, ao lado de Manoela D’Avilla (PCdoB-RS) e de Brizola Neto (PDT-RJ), a entrar com representação contra o colega. “Ele ataca a comunidade LGBT há muito tempo, mas só agora que ofendeu os negros é que caíram em cima dele.”

Em nota oficial, Bolsonaro tentou se defender: “A resposta dada deve-se a errado entendimento da pergunta – percebida, equivocadamente, como questionamento a eventual namoro de meu filho com um gay. Daí a resposta. Todos aqueles que assistam, integralmente, a minha participação no programa, poderão constatar que, em nenhum momento, manifestei qualquer expressão de racismo. Ao responder por que sou contra cotas raciais, afirmei ser contrário a qualquer cota e justifiquei explicando que não viajaria em um avião pilotado por cotista nem gostaria de ser operado por médico cotista, sem me referir a cor.”

“O Bolsonaro quer escapar da acusação de racismo, que como é crime pode ser considerada quebra de decoro e pode causar a sua expulsão da Casa. Ele quer ficar apenas com a acusação de homofobia, que não é crime e é considerada apenas injúria”, analisa Wyllys.

O apresentador do programa, o humorista Marcelo Tas, em entrevista ao Terra Magazine, reforçou a tese: “Ele manifestou dois preconceitos, contra os negros e contra os gays.” A apresentadora Preta Gil, por meio do seu advogado, disse que irá entrar com um processo por danos morais contra o deputado. Já o filho dele, centro de toda a polêmica passou o dia defendendo o pai: “É óbvio que eu namoraria uma negra.”