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Battisti disparou contra o médico Diego Fava e tentou matar o juiz Luigi De Liguor. Miracolo, atribuem à sobrevivência

por Wálter Maierovitch publicado 06/01/2011 18h25, última modificação 12/01/2011 11h03
Jornais mostrarão que nenhum dos que estiveram presos em cárceres italianos, por participações em fatos eversivos consumados nos anos 70 sofreram atentados ou perseguições. Por Wálter Maierovitch
Quem mentiu a Lula sobre Battisti?

Jornais mostrarão que nenhum dos que estiveram presos em cárceres italianos, por participações em fatos eversivos consumados nos anos 70 sofreram atentados ou perseguições. Por Wálter Maierovitch. Foto: AFP

–1. As revistas semanais italianas chegarão às bancas na próxima sexta-feira e com o “Caso Battisti” tratado como matéria central.

O leitores irão encontrar relatos, testemunhos, transcrições de peças processuais,  além de comentários sobre a decisão do presidente Lula de não conceder a extradição. Isto por entender que Battisti não ficaria seguro na Itália e teria a integridade física sob risco.

Matérias jornalísticas mostrarão que nenhum dos que estiveram presos em cárceres italianos, por participações em fatos eversivos consumados nos anos 70, correram riscos, sofreram atentados ou  perseguições.

Dois exemplos:

(1) Sérgio Segio, líder da organização Prima Línea ( matou mais do que todas as outras organizações terroristas, incluídas  as Brigadas Vermelhas), é cineasta premiado e escritor de sucesso, depois de cumprir 8 anos em regime fechado.

Sérgio Segi matou, em janeiro de 1979, o  juiz Emilio Alessandrini. Isto logo depois do juiz ter deixado o seu pequeno filho de 5 anos no colégio.

Alessandrini era juiz de instrução nos casos de terrorismo e não tinha escolta à sua disposição.

(2) Giuseppe Memmeo, que formava dupla com Battisti para assassinar e disparar contra as pernas de operários de fábricas ligados ao Partico Comunista Italiano (–PCI, eurocomunista e contra a linha marxista de Moscou–), está em liberdade condicional há mais de dez anos e presta servições comunitários. Memmeo trabalha em programas de assistência a usuários de drogas proibidas.

E a pergunta que não cala na Itália: quem mentiu a Lula sobre perseguições e atentados?

Mais ainda, Lula não sabia que apenas dois condenados estão em regime fechado e  isto porque recentemente extraditados.

Numa decisão humanitária decorrente de acordo formal entre os presidentes Giorgio Napolino (Itália) e Nicolas Sarkozy (França), a terrorista Marina Petrella (com câncer terminal e 37 kg de peso em face da doença), deixou de ser extraditada.

Petrella, ao contrário de Battisti, nunca renegou sua escolha. E nunca pediu desculpa às famílias das vítimas que o seu grupo assassinou.

Por outro lado, o médico Diego Fava sobreviveu por sorte. Battisti colocou o cano de uma pistola contra a sua cabeça. Acionou o gatilho algumas vezes e a arma falhou. Distante, Roberto Silvi, que dava cobertura a Battisti, realizou três disparos contra o corpo do médico Fava, que, gravemente ferido, conseguiu sobreviver.

Fava, sem qualquer hesitação, reconheceu Battisti como a pessoa que encostou a arma na sua cabeça e acionou o gatilho algumas vezes.

O juiz Luigi De Liguori, como conta à revista Panorama que estará nas bancas na sexta-feira, saiu ileso do atentado comandado por Battisti, com pistolas automáticas e metralhadoras russas kalashnikov.

Battisti e Arrigo Cavallina armaram e colocaram em prática um plano para assassinar De Ligouri, juiz encarregado, em Milão, de apreciar acusações contra terroristas.

Em Milão, Battisti ficou à espera do juiz na parte térrea da residência onde o magistrado vivia com a mulher e dois filhos, à via Padova. Um dos membros do grupo, Maurizio Follini, apelidado “Corto Maltese”, foi parado na estrada Torino-Milão e se atrasou em chegar à via Padova.

Por pensar que a polícia havia descoberto o plano e prendido Follini, o grupo de execução dos chamados “inimigos do proletariados”, com Battisti à frente, fugiu com a chegada do juiz De Ligouri, sob escolta de três homens.

Para De Ligouri,  72 anos,  aposentado e residente na pequena cidade de Salento (província de Lecce): - “Mi sento um miracolato, uno che è sopravissuto per caso” (sinto-me um agraciado por milagre, uma pessoa que sobreviveu por acaso).

–2. PANO RÁPIDO. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, defendeu, em longa entrevista à londrina BBC, o acerto da decisão de Lula.

Cardozo é do grupo petista liderado por Tarso Genro.

O ministro Cardozo, como o general Elito, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, bate-cabeça com a presidente Dilma Roussef.

A presidente Dilma é favorável à extradição.

Cardozo, não quer a extradição de Battisti e defende o acerto da decisão de Lula.

Para o ministro Cardozo, Dilma erra.

Viva o Brasil.

Matéria publicada originalmente no blog Sem Fronteiras, do portal Terra

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