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Banalização da Violência

por Coluna do Leitor — publicado 28/02/2011 11h55, última modificação 28/02/2011 13h03
Nosso leitor Elias Botelho recorda que a violência não se limita à agressão física ou moral. E cobra o papel do Estado.

Quando falamos em violência, em primeiro lugar vem em nossa mente uma agressão física ou moral.
E essa tal violência é uma ação que visa obter por métodos brutais ou inconvenientes, um objetivo, pois se não for de forma forçosa, dificilmente conseguirá.
No nosso meio há uma cultura de que somos um povo pacífico e dizemos isso quando comparamos o nosso país aos que vivem em conflitos internos ou externo (civil ou militar). E numa síntese, diremos que o nosso país desde o início vem, aqui e acolá, vivendo momentos de grande violência, seja institucionalizada ou não, basta rever a história.
Mas em verdade, quando alguém viola um preceito ou uma norma legal, estará cometendo um ato de violência. E da mesma forma  quando Estado deixa de cumprir seu papel de pacificador da ordem e de provedor do bem estar – social ( saúde, educação, fome etc.), está implicitamente, não só cometendo um ato de violência como favorecendo o surgimento de uma  classe marginal, ou seja, aquela que vive à margem de todas as “benesses” sociais.
Surge, então, ironicamente e consequentemente, os “marginais”. Sim, aqueles que cometem crimes, promovem a violência e assusta a sociedade. Entretanto, pergunta-se: e aqueles que lesam o dinheiro público como nos casos recentes das  polícias do Rio e São Paulo, praticam apenas corrupção? Claro que não. Violência também. Não usaram, talvez, uma força irresistível, mas um meio de coação, que é uma violência velada e ameaçadora.
Nesse contexto o cantor e compositor, Zé Geraldo, diz numa letra: “tá vendo aquele colégio, moço? Ajudei a levantar...” e no final do verso completa dizendo que “criança de pé no chão aqui não pode estudar.” A letra retrata um fato social que nos remete a idéia dos excluídos, que num sentimento de angústia e observando, quem sabe, as ostentações dos abastados, podem se vingar daqueles que supostamente os renegam.
Pesquisas mostram nesse contexto, que as desigualdades sociais levam os jovens à violência muito mais que o estado puro de pobreza. Ficam evidentes, de outro lado, que o crime e a violência não são privilégios dessas classes desfavorecidas; as classes dominantes também cometem violência. Porém, quando os crimes e a violência vêm destas, as indagações são mais ou menos assim: “quem diria fulano ou o filho de fulano fez isso!...” É como dizer que fazer parte de tal classe fosse uma excludente de ilicitude.
De outra parte, tem-se que levar em conta não só a violência externa que chocam a todos, ou seja, aquelas que torturam a alma ferem o corpo, o bolso, e leva à morte criaturas humanas, mas também as que se escondem por traz das normas, cargos e o poder.
 Essa violência velada é o espelho para aqueles que são chamados de “marginais”. Mas fica um alerta: a sociedade tem que parar de exibir faixas pedindo paz. Ela tem que ir à raiz do problema e exigir mudanças em todos os níveis para estancar o sangue da violência.
A banalidade da violência tem várias facetas como apontam estudiosos: desigualdade social, emprego, educação, lazer,  impunidade e ainda o sistema prisional inadequado (que não segregam aqueles que cometem pequenos delitos dos mais ofensivos).
E finalmente, vemos que não existem soluções mágicas e muito menos milagrosa para conter essa crescente violência para resolver o problema da insegurança pública. Portanto em nossa opinião, uma interação entre os três poderes e seus órgãos específicos (ligados à segurança e a justiça) será de grande valia.
Necessário lembrar que nas ações de combate à violência, deve-se evitar usar do mesmo expediente dos supostos “marginais”. A inteligência é a mais recomendada (vejam a polícia Federal, claro, sem o espetáculo das algemas). Somente o policiamento nas ruas já demonstrou que não resolve; estratégias inteligentes, talvez sim.
E para refletir, sito Beccaria: “ o castigo não se mede pela sensibilidade do culpado, mas pelo prejuízo causado à sociedade.”

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