tamanho da fonte minímo médio máximo

Política

Rodrigo Martins e Clara Roman

União homoafetiva

04.05.2011 19:56

Ministro Ayres Britto: “A ausência de lei não é a ausência do direito”

Relator do processo, o ministro do Supremo Tribunal Federal votou a favor do reconhecimento jurídico da união estavel de casais do mesmo sexo. Foto: Nelson Jr./STF

O ministro Carlos Ayres Britto, relator de duas ações sobre união civil homoafetiva analisadas nesta quarta-feira (4) pelo Supremo Tribunal Federal (STF), manifestou-se a favor da iniciativa. “O sexo das pessoas não se presta como fator de desigualação jurídica”, argumentou o magistrado. De acordo com ele, a Constituição brasileira proíbe o preconceito e a diferença de direitos entre casais hetero ou homossexuais é incompatível com a lei.

A leitura do voto demorou certa de duas horas e, logo na sequência, a sessão foi encerrada. O julgamento deve ser retomado nesta quinta-feira. Para Ayres Britto, a sexualidade é uma questão de foro íntimo, a qual o Estado não deve interferir, sobretudo na restrição de garantias civis. “A ausência de lei (sobre o tema) não é ausência do direito, que é maior do que a lei.”

Principal entidade convidada a se posicionar contra a união homoafetiva, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), representada pelo advogado Hugo Cysneiros de Oliveira, sustentou que qualquer alteração na matéria deve ser feita pelo Congresso, e não pelo Judiciário. “”Se a sociedade clama por outra solução, que busque no Parlamento. Uma lacuna constitucional não pode ser confundida com não encontrar na Constituição Federal aquilo que eu quero ouvir”, disse Oliveira. “A pluralidade tem limites e tem por diversas razões, porque na medida em que decidimos nos contratar socialmente em torno de uma Carta que estabelece e delimita direitos e deveres mútuos que permitem nossa convivência.”

Entre as entidades que defendem os direitos LGBT, a expectativa é grande. Oscar Vilhena, da ONG Conectas, sustenta que a união estável não pode ser exclusiva dos casais heterossexuais. “A constituição estabelece que não pode haver qualquer forma de discriminação, incluindo o que se refere às escolhas sexuais”, comenta. A partir da decisão favorável do Supremo, não pode haver qualquer forma de discriminação aos homossexuais pela lei ou por sua interpretação. “Não é uma decisão para um caso, mas sim uma decisão visceral”, afirma Vilhena.

De acordo com Tony Reis, presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), o poder judiciário de ao menos dez estados brasileiros já reconhecem união estável entre casais homossexuais. “A posição favorável do STF amplia essa medida para todo país”.

Maria Berenice Dias, vice-presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Família (Ibdfam), afirma que mais de mil casos julgados em tribunais de todo o País foram favoráveis à concessão de direitos iguais aos casais homoafetivos, apesar da omissão dos legisladores. Os funcionários gays do STF, inclusive, possuem os mesmos direitos em relação a casais heteros. “É a primeira vez que o STF foi chamado a julgar esse tema”, diz ela.

Enviar para um amigo Enviar para um amigo Imprimir: Compartilhar:
Mais...

Sua opinião

  1. Luiz Carlos Junior disse:
    É lamentável que o governo Dilma seja refém das bancadas evangélica e ruralista e o supremo tome as providências que o Congresso e Executivo colocaram embaixo do tapete (outrora) vermelho. Mas é isso aí, quem não tem cão caça com Ayres.
  2. Lara disse:
    Deus criou homem e mulher.... somente!! Tomara que tal decisão não abra mais caminhos, AINDA, permitindo, assim, o casamento homosexual.... aí sim... será o fim!!!
22mai

PEC do trabalho escravo é aprovada; ruralistas querem mudanças no Senado

Propriedades que mantêm trabalho escravo serão desapropriadas; Frente Parlamentar da Agropecuária foi contra o projeto por entender que há distorções

22mai

Cachoeira não responde perguntas em CPI

Bicheiro diz ter “muito a dizer”, mas que só falará futuramente. Sua defesa, comandada pelo ex-ministro Márcio Thomaz Bastos, vai tentar anular as investigações

22mai

Bons negócios no Rio

O governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, que mostra adorar transações imobiliárias, entrou em acordo com a BR Petrobras [...]

22mai

Derrota do racismo e do DEM no STF

A democracia, no Brasil, reclama a igualdade em sentido amplo, e particularmente entre negros e o restante da sociedade