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Política

Rio de Janeiro

Avanço de Lindberg e queda de Cesar Maia mostram disputa aberta ao Senado no RJ

por Rede Brasil Atual — publicado 14/09/2010 10h29, última modificação 14/09/2010 10h30
Na reta final, quadro é de empate técnico; pesquisas também apontam queda de Cesar Maia

Na reta final, quadro é de empate técnico; pesquisas também apontam queda de Cesar Maia
Por  Maurício Thuswohl*

Rio de Janeiro – A campanha eleitoral entra em sua reta final, e as mais recentes pesquisas de opinião sobre as eleições no Rio de Janeiro mostram que o candidato do PT ao Senado, Lindberg Farias, apresenta uma continuada tendência de crescimento. Com isso, o ex-prefeito de Nova Iguaçu encontra-se em situação de empate técnico com os adversários Cesar Maia (DEM) e Marcelo Crivella (PRB). O candidato demista, por sua vez, apresenta tendência de queda continuada e começa a sentir ameaçada uma vitória que há apenas algumas semanas parecia tranquila.
A “onda vermelha” causada pelo bom desempenho no Rio de Janeiro da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, não beneficia apenas Lindberg na briga pelo Senado. Amparado pelo bom momento do governador Sérgio Cabral, o candidato do PMDB, Jorge Picciani, também cresceu nas pesquisas, ainda que mais modestamente. Na crença de que a boa votação que deverá ser recebida por Dilma e Cabral no Rio poderá garantir a eleição de dois candidatos da base governista ao Senado, Picciani agora intensifica a sua até aqui inglória luta pelo apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na propaganda da televisão.

Segundo pesquisa do Ibope divulgada em 10 de setembro com margem de erro de dois pontos percentuais, Lindberg aparece com 31% das intenções de voto dos eleitores fluminenses, empatado com Crivella. Cesar surge logo atrás, com 28% das intenções de voto, e Picciani vem em quarto lugar com 20%. Em comparação à pesquisa Ibope divulgada na primeira semana de setembro, o candidato do PT subiu três pontos percentuais, enquanto Cesar e Crivella caíram dois e três pontos percentuais, respectivamente. Picciani, que vinha crescendo, oscilou negativamente dois pontos.
Se comparado à pesquisa realizada pelo Ibope na segunda quinzena de agosto, o crescimento de Lindberg foi de sete pontos percentuais, ante queda de seis pontos de Cesar Maia. Mesmo com a perda na pesquisa mais recente, Picciani cresceu nove pontos percentuais desde o meio de agosto. Ainda na primeira colocação, Crivella apresenta o maior retrocesso acumulado, com sete pontos.
Na mais recente pesquisa do Instituto Datafolha, realizada nos mesmos dias da pesquisa do Ibope, mas com metodologia um pouco diferente, Marcelo Crivella aparece com 40% das intenções de voto, seguido por Lindberg Farias (36%), Cesar Maia (29%) e Jorge Picciani (22%). Neste caso, o crescimento acumulado pelo candidato petista desde o início de agosto é de catorze pontos percentuais. Crivella, após oscilar negativamente no meio de agosto, manteve na última sondagem feita pelo Datafolha o patamar de 40%, enquanto Cesar caiu quatro pontos percentuais e Picciani subiu seis pontos.
Segundo voto
A indefinição na disputa pelas duas vagas do Rio de Janeiro no Senado é ainda maior se levado em consideração o elevado índice (70%) de eleitores que afirmam ainda não ter decidido o seu segundo voto para senador. Cerca de um terço dos eleitores entrevistados sequer sabia que este ano serão escolhidos dois senadores por estado. Como o segundo voto também é obrigatório, não são raras as surpresas nas eleições onde dois terços do Senado são renovados. Com o quadro eleitoral indefinido do Rio, tudo, literalmente, ainda pode acontecer.
Cesar Maia não perde o bom-humor: “Os quatro candidatos competitivos ao Senado terão que tomar tranquilizantes até o final da apuração", analisa. A menos que algum deles ultrapasse o patamar de 45% das intenções de voto, que é a porcentagem onde o caráter residual do segundo voto não o afetaria mais”, pondera o ex-prefeito do Rio de Janeiro em seu ex-blog na internet.
Na propaganda de TV desta segunda-feira (13), Maia ignorou completamente os candidatos majoritários que apóia – Fernando Gabeira (PV) e José Serra (PSDB), ambos mal nas pesquisas. No entanto, os concorrentes tucanos ao Senado por Minas Gerais, Aécio Neves, e ao Governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, aparecem pedindo votos para o candidato do DEM.
“O cara do meio-campo” 
Se Gabeira e Serra andam sendo deixados de lado pelos aliados, o oposto acontece com Cabral, Dilma e Lula, que têm suas presenças na propaganda eleitoral da tevê disputadas pelos candidatos da base governista. À vontade na condição de candidato do PT, Lindberg usou uma metáfora futebolística bem ao gosto de Lula para passar sua mensagem ao eleitor.
“O senador é o representante do Rio em Brasília. Se fosse um time de futebol, o senador seria o cara que faz o meio-campo. Agora, imagine um meio-campo que não se entende com o ataque e a defesa? Imagine um senador que brigue com o presidente, o governador e o prefeito? Não vai funcionar. O Rio não aguenta mais brigas. Eu quero ser o senador que vai fazer esse meio-campo”, sugere.
Em seguida, a propaganda de Lindberg apresenta Cabral afirmando que “o Rio já perdeu muito com as brigas políticas” e pedindo votos para o petista. Outra estrela do programa do candidato do PT ao Senado, além da habitual participação de Lula, é Dilma. “Precisamos renovar o Senado, e o Rio tem um candidato para ninguém botar defeito. Lindberg tem um profundo compromisso com a transformação econômica e social do Brasil”, afirma a candidata petista à Presidência.
Além de Lindberg, outro que tem o importante apoio de Lula na tevê é Crivella. Na propaganda desta segunda-feira (13), o presidente aparece falando que o candidato do PRB “é um dos senadores mais competentes que o Brasil tem hoje”. Após afirmar que Crivella “foi um dos meus parceiros mais fiéis do Senado e sempre defendeu fortemente os interesses do Rio”, Lula, para desespero de Picciani, termina seu recado indo diretamente ao assunto: “Este ano você pode votar em dois senadores. Dê um de seus votos para Crivella”.

* Matéria originalmente publicada no Rede Brasil Atual

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