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Avaliações sobre a decisão do Banco Central

por Redação Carta Capital — publicado 07/01/2011 11h20, última modificação 07/01/2011 11h34
Nesta quinta-feira 6 o Banco Central anunciou nova medida para conter a valorização do Real. Aqui, as impressões dos economistas Demian Fiocca, Antonio Corrêa de Lacerda e Paulo Daniel.

Nesta quinta-feira 6 o Banco Central anunciou nova medida para conter a valorização do Real. Aqui, as impressões dos economistas Demian Fiocca, Antonio Correa Lacerda e Paulo Daniel

O Banco Central (BC) corre para ajudar a estancar a queda do dólar. De acordo com a sua nova determinação, anunciada nesta quinta-feira 6, as instituições financeiras terão que recolher aos seus cofres o equivalente a 60% sobre o valor da posição de câmbio vendida que exceder US$ 3 bilhões ou o montante equivalente ao patrimônio de referência do banco.

Como explicou Aldo Mendes, diretor de Política Monetária do BC, a tendência agora é que a cotação do dólar aumente. “A princípio [a medida] vai gerar alguma demanda por dólar, o que tende a fazer com que a cotação suba”, ele disse em entrevista coletiva.

CartaCapital ouviu três respeitados economistas sobre o assunto. Leia o que eles disseram, ao apoiar a decisão do BC:

Demian Fiocca – mestre em Economia pela USP, é sócio da Mare Investimentos. Foi presidente do BNDES, secretário de assuntos internacionais do Ministério do Planejamento e diretor da Vale.

“Os mercados muitas vezes tendem a excessos, ora de pessimismo, ora de otimismo. A gestão macroeconômica deve procurar suavizar essas tendências, de modo a reduzir seu impacto sobre a economia real e permitir uma adaptação não traumática.

Devido ao sucesso de sua economia e à liquidez internacional, o Brasil tem recebido um grande fluxo de divisas. Várias ações de política econômica têm atuado no sentido de reduzir e suavizar o impacto desse fluxo. A compra de reservas internacionais tem sido a principal delas. A elevação do IOF para entrada de recursos foi outra. A medida de ontem foi mais uma na mesma direção. Creio que está correta.
Os atores dos mercados financeiros tendem a ser contrários a medidas regulatórias por seu interesse em fazer negócios. Daí surgem discursos como o de que o “IOF não teve efeito para desvalorizar o real” ou tentativas de utilizar pretextos para criticar diferentes gestores da política econômica. São discursos em interesse próprio. As autoridades econômicas estão agindo corretamente, no interesse público”.

Paulo Daniel – mestre em economia política pela PUC-SP, professor de economia e editor do Blog Além de Economia

“No mercado financeiro, “estar vendido” sinaliza realização de negócios que exigem a entrega futura de dólar ou pagamento da variação cambial. Na prática, isso representa a aposta dos bancos de que o real vai se valorizar. Estar “comprado”, por consequência, sinaliza a expectativa de depreciação da moeda brasileira.
A medida, em um primeiro momento, tenderá a valorizar o Dólar perante o Real e ao mesmo tempo, dificultará a especulação com as moedas, seja por suas valorizações ou desvalorizações, entretanto, ainda tem outra medida ainda mais interessante para a valorização do Dólar; a redução dos juros. Aguardemos a próxima reunião do COPOM (Comitê de Política Monetária)”.

Antonio Corrêa de Lacerda – professor de Economia da PUC-SP e doutor pela UNICAMP

“Dentro do arsenal disponível de medidas que o BC tinha, foi uma decisão acertada, porque dificultará a valorização do real e permitirá que o Brasil continue atraindo capital estrangeiro. O fundamental seria diminuir a taxa de juro. No entanto, provavelmente, o Alexandre Tombini irá aumentar a taxa de juros, mantendo assim a atual política do BC.
“Por ora, a medida foi boa, mas a médio e longo prazo será necessária a diminuição da taxa de juros”.

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