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Política

Coluna Econômica

As propostas de FHC e a convergência de diagnósticos

por Luis Nassif publicado 07/01/2014 09h46
Ao externar posições críticas racionais, a oposição obriga a situação a se ajustar

Um experiente analista político observava, dia desses, que as próximas eleições sempre começam nas eleições anteriores. A campanha vitoriosa de Lula, em 2002, começou na campanha derrotada de 1998.

Por aí entende-se o enorme desastre para o PSDB que foi a campanha de José Serra em 2010, que não deixou uma ideia sequer de herança para o partido.

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Por tudo isso, partidos com visão estratégica mais apurada empenham-se em deixar sua marca mesmo em eleições para os quais não têm maiores chances de vitória. E é bom para o país.

Ao externar posições críticas racionais, a oposição obriga a situação a se ajustar.

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No domingo passado, em seu artigo semanal nos jornais, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso esboçou, ainda de forma tênue, o que poderia ser um programa de oposição.

O discurso diferencia-se pouco dos pronunciamentos de Dilma Rousseff. As críticas mais substantivas são em relação à implementação das ideias, muito mais do que pela diferenciação de conceitos.

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É ponto interessante que mostra que, apesar da radicalização da discussão política através da mídia e das redes sociais, há uma convergência de diagnósticos típica de nações que amadureceram.

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Na diplomacia, FHC defende que o Brasil volte a se aproximar dos Estados Unidos e da Europa, fecha acordos comerciais, abrace o Arco do Pacífico e volte a assumir papel mais relevante na América Latina. A meta maior do governo é um acordo comercial com a União Europeia.

Defende que a ênfase ao consumo seja mais equilibrada com um aumento da produtividade, “sem redução dos programas sociais e demais iniciativas de integração social”. Nesse ponto, FHC sinaliza para os economistas do partido refrearem seus ataques aos custos fiscais dos programas sociais. Mas nada que diferencie do discurso oficial.

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Na economia, propõe um “ousado programa de ampliação e renovação da infraestrutura e, na sociedade, de maior atenção à qualificação das pessoas (Educação) e às suas condições de saúde, segurança e transporte”.

As diferenciações surgem quando propõe “abaixar os impostos sem selecionar setores beneficiários”, e quando sugere “abrir mais a economia, sem temer a competição”. Para uma economia enfrentando perda de competitividade e desequilíbrio nas contas externas, é sugestão típica de quem não precisa enfrentar as consequências de suas sugestões.

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As críticas mais consistentes são quanto à forma. Defende a ampliação das concessões, “fazer com competência o que o governo petista paralisou nos últimos dez anos e que o atual governo, de Dilma Rousseff, vê-se obrigado a fazer, mas o faz atabalhoadamente abusando do direito de aprender por ensaios e erros”.

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Persiste a crítica quanto ao modelo de exploração do pré-sal. FHC endossa a tese da maximização do valor da concessão mas não aborda os aspectos de política industrial e de financiamento das políticas sociais embutidos no novo modelo. Uma crítica consistente ao modelo do pré-sal precisa levar em conta essas duas vertentes.

Critica o combate à inflação que, segundo o artigo, só estaria dentro da meta devido à compressão dos preços públicos.

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