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Política

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As dificuldades mudam de endereço na sucessão gaúcha

por Paulo Cezar da Rosa — publicado 01/01/2010 17h32, última modificação 07/09/2010 17h34
O PMDB gaúcho e seu candidato José Fogaça estão comendo o pão que o diabo amassou.

O PMDB gaúcho e seu candidato José Fogaça estão comendo o pão que o diabo amassou. Em meio à indecisão sobre quem apoiar para a sucessão de Lula, Fogaça está sofrendo ataques por todos os flancos. Por um lado, José Serra atacou as bases do partido indo falar diretamente com o segundo escalão. Por outro, a candidata Dilma cresce no estado, inclusive nas bases peemedebistas, principalmente com o apoio de prefeitos que reconhecem nunca terem sido tão bem tratados em Brasília.

Yeda Crusius, no flanco direito, e Tarso Genro, no flanco esquerdo, estão rindo à toa. A confusão que a campanha nacional abriu nas trincheiras fogacistas é grande e ambos estão tirando proveito disso.

Pedro Simon abriu a semana desautorizando o deputado Osmar Terra, que apoia José Serra de forma ostensiva. Conforme o senador, se Terra está pensando em ser ministro da Saúde, está no caminho errado. Para Simon, Terra é um mau candidato a ministro porque só está pensando em si mesmo, e não terá apoio de Fogaça nem do partido para postular o cargo.

As tensões com o PDT, que ao assumir a vice condicionou a aliança ao apoio à Dilma, também são grandes. O PDT reagiu com força à ofensiva de Serra, exigindo cumprimento dos termos do acordo. As consequências mais imediatas na relação com os trabalhistas parecem ter sido contornadas, mas nos bastidores houve ameaças inclusive de abandonar o barco.

Noites sem dormir - Pressionados por todos os lados, o senador Pedro Simon, o candidato José Fogaça e o coordenador da campanha Mendes Ribeiro Filho, estão passando noites sem dormir. Depois de uma arrancada forte, que incluiu a aliança com o PDT tendo como vice o deputado Pompeu de Matos, o comando peemedebista deverá dedicar os próximos dias ao desarmamento de diversas armadilhas que estão no seu caminho.

De fato, o balanço político das últimas semanas não favorece Fogaça. Primeiro, porque sua candidatura parece haver travado no meio de campo. Lançada como desaguadouro natural de todos setores que desejam uma alternativa de pacificação na política gaúcha (ou seja, que não estão com o PT nem com o PSDB), a candidatura Fogaça acabou tendo apenas o PDT como aliado de peso até o momento. E pagando um alto preço pela aliança. O PDT ficou com a prefeitura de Porto Alegre e o cargo de vice na chapa.

Este argumento, aliás, depois que conseguiu romper seu isolamento, atraindo o PSB e o PCdoB, vem sendo utilizado nos bastidores pelo PT para tentar demonstrar que quem de fato está isolado é Fogaça e não Tarso.

Na verdade, os petistas investiram pesado em ter o PDT como vice do ministro Tarso Genro e ainda não perderam a esperança de trazer o PDT para o seu lado. O assédio ao partido de Leonel Brizola tem uma explicação. Em todas as últimas disputas no Rio Grande do Sul, venceu quem conseguiu apoio do eleitorado trabalhista.

Ter o PDT ao seu lado desde o primeiro turno é um grande trunfo para Fogaça, mas num mundo que muda rapidamente e num quadro em que o eleitor trabalhista não tem mais o comando centralizado de Leonel Brizola, ninguém mais tem certeza do que poderá ocorrer.

Ataques pela direita - Nesta semana, Yeda Crusius consolidou sua aliança com o PP. Os progressista gaúchos indicaram o deputado albergueiro Vilson Covatti para vice. Covatti promete ser um vice exemplar, que conhece o seu lugar. Depois que Yeda amargou quatro anos com um vice que a queria ver pelas costas, Covatti aparece como uma solução de nível muito superior a que teve em 2006. Além de ser um político calejado, Covatti é de um partido que possui bases e patrimônio político a zelar. Muito diferente de Paulo Feijó, o atual vice, dos democratas gaúchos, um partido frágil e francoatirador.

É bastante provável que, consolidada a aliança, o próxima passo da tucana seja investir sobre as bases peemedebistas. O PMDB, afinal, esteve com Yeda durante todo o seu governo e ainda permanece ocupando cargos no governo do Estado. Este relacionamento é um terreno suficientemente fértil para que os tucanos agora procurem cobrar o apoio dos peemedebistas, especialmente daqueles que estão com Serra.

Yeda vem fazendo um trabalho altamente profissional de gestão de sua imagem. Já conseguiu diminuir sua rejeição inclusive nos grandes centros urbanos. Quem afirmar que a tucana está morta, está muito enganado. As pesquisas de um modo geral vêm indicando que Tarso e Fogaça hoje têm cerca de 10% nas intenções de voto espontâneas e Yeda cerca de 5%. Apoiada na máquina do Estado, no enraizamento do PP por todo o Rio Grande do Sul, e com a bandeira de Serra na mão, a tucana pode pegar fatias importantes do eleitorado de centro.

Se os ataques por um lado e outro derem certo, o melhor dos mundos para Tarso Genro pode se configurar. Ou seja, um segundo turno perfilado com o debate nacional. Tarso e Dilma de um lado, e Yeda e Serra de outro. Se não derem, Fogaça poderá surfar na onda da pacificação e acantonar seus adversários no canto do ringue. Vai depender da sua habilidade e capacidade de descolar o debate estadual do nacional, coisa que nem Tarso, nem Yeda , desejam.