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Política

São Paulo

Após prisões, Kassab tenta desviar dos estilhaços

por Redação — publicado 31/10/2013 11h50, última modificação 31/10/2013 15h46
O ex-prefeito reivindica a primazia das investigações, mas nem ele nem Haddad explicam como um suspeito de desviar milhões atuou durante tanto tempo em cargos-chave

A prisão de quatro servidores da Prefeitura de São Paulo, acusados de enriquecimento ilício por meio de desvios avaliados em 500 milhões, levou o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) a correr para se desviar dos estilhaços que acertaram a cúpula de sua administração. Entre os detidos está o auditor fiscal Ronilson Bezerra Rodrigues, chefe da arrecadação do governo Kassab que foi mantido na gestão petista, pela qual atuou, entre fevereiro e junho, como diretor de administração e finanças da SPTrans, a agência responsável pelo gerenciamento do trânsito na capital. No governo petista, ele gerenciou um caixa de quase 6 bilhões de reais. O atual prefeito, Fernando Haddad, diz que a nomeação aconteceu antes das suspeitas sobre a evolução patrimonial de Rodrigues. Em março, quando as suspeitas surgiram, ele passou a ser “monitorado”. Ele não foi exonerado, segundo o petista, para não dar pistas sobre a investigação.

Todos os funcionários eram de carreira da Subsecretaria da Receita da prefeitura e ocupavam cargos de confiança; três já estavam afastados. Tão logo as prisões foram anunciadas, o ex-prefeito correu para anunciar que as investigações tiveram início na sua gestão. “O ex-corregedor-geral na gestão Kassab, Edilson Mougenot Bonfim, disse que a denúncia sobre a evolução patrimonial suspeita de Ronilson Bezerra Rodrigues, ex-subsecretário da Receita Municipal, chegou à prefeitura em setembro do ano passado e que o caso começou a ser investigado imediatamente pela antiga administração”, manifestou o PSD em nota.

Também em nota, Kassab afirmou que “apoia integralmente a apuração”. “Como é de conhecimento público, o ex-prefeito de São Paulo, quando alertado sobre qualquer suspeita, mesmo que por denúncia anônima, sempre encaminhou para apuração da Corregedoria-Geral do Município e ciência do Ministério Público, com o qual manteve total colaboração.”

A nota diz que Kassab “sempre se pautou pela correção na administração da máquina pública” e “deu total autonomia aos secretários para montar as suas respectivas equipes e tem certeza que todos se colocarão à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações e esclarecer todas as dúvidas existentes”.

O prefeito Fernando Haddad (PT), por sua vez, correu para dizer que a investigação não representava uma “devassa”, em uma alusão à gestão anterior. Aliados em Brasília, PT e PSD tem dado sinais de distanciamento na capital paulista.

“Não existe devassa. A minha administração está sob a responsabilidade da controladoria, como qualquer outra”, disse. “Pode acontecer com qualquer administrador correto. Mesmo aquele que queira, que tenha compromisso com a lisura, pode acontecer em uma máquina tão grande”, acrescentou.

O prefeito anunciou a abertura de um processo administrativo disciplinar contra os quatro servidores. Ele pediu que a população colabore com as investigações. “Agora que a coisa se torna pública, nós podemos contar com cidadãos que podem porventura ter conhecido situações suspeitas, ou até empresários que queiram colaborar, que eventualmente tenham sido coagidos, os chantageados, queremos toda a ajuda para colocar fim a esse esquema”, disse Haddad em entrevista.

As fraudes, segundo as investigações, ocorreram no sistema de arrecadação do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS). Os servidores cobravam propina para emitir guias de recolhimento do ISS com valor abaixo do que os contribuintes deveriam pagar para obter o termo do “Habite-se”. As prisões decorreram de uma operação deflagrada pelo Ministério Público Estadual (MPE), após investigação feita em conjunto com a Controladoria-Geral do município.

Além das prisões, foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas casas dos servidores e de terceiros, assim como nas sedes de empresas ligadas ao esquema de corrupção. Os acusados vinham sendo investigados havia cerca de seis meses pelos crimes de corrupção, concussão, lavagem de dinheiro, advocacia administrativa e formação de quadrilha. A Justiça autorizou o sequestro de bens dos acusados, no valor aproximado de 80 milhões de reais.

 

Com informações da Agência Brasil