Política

Comunicações

Mudança na Telebrás expõe divergências

por Teletime — publicado 31/05/2011 11h56, última modificação 31/05/2011 12h00
Rogério Santanna deixa comando da estatal, e dá lugar a Cezar Alvarez, atual secretário-executivo das Comunicações, que se desgastou com Paulo Bernardo

Samuel Possebon, do Teletime*

Dia 1º de junho deve ser formalizada, na reunião do conselho da Telebrás, a saída de Rogério Santanna da presidência da estatal. Em seu lugar, quem assume é Cezar Alvarez, atual secretário-executivo do Ministério das Comunicações. A mudança se dá em um ambiente político ruim: Cezar Alvarez e o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, estão com a relação desgastada por uma série de razões. A principal delas é falta de confiança e afinidade política. Cezar Alvarez nunca foi a primeira escolha de Paulo Bernardo para a Secretaria Executiva. Foi colocado por indicação do ex-presidente Lula e tentou ganhar espaço como formulador de políticas, batendo de frente com o projeto de Paulo Bernardo, segundo interlocutores familiarizados com a situação. Agora, Bernardo terá a chance de voltar a ter controle total sobre o ministério e colocar Genildo Lins (atual secretário de radiodifusão) como secretário-executivo, como era o plano inicial quando foi convidado para ser ministro. Outro cotado é Rodrigo Zerbone, atual consultor jurídico, este também cogitado para o conselho da Anatel. 

Paulo Bernardo também já havia informado Cezar Alvarez que seu aliado Nelson Fujimoto, atual secretário de telecomunicações, perderia o cargo. Essa decisão havia sido tomada antes mesmo de se decidir pela saída de Alvarez. Para o seu lugar na secretaria de telecomunicações foi convidado, há algumas semanas, Maximiliano Martinhão, atual gerente geral de certificação e engenharia de espectro da Anatel. 

Outro sinal de desentendimentos no núcleo que cuida das telecomunicações do governo é que Rogério Santanna, atual presidente da Telebrás, ainda não foi avisado da mudança, nem mesmo informalmente. Ficou sabendo pelo Jornal O Globo, que antecipou a alteração nesse final de semana. Santanna e Cezar Alvarez eram aliados e estavam, até o começo do governo Dilma, alinhados sob o mesmo discurso. Mas Santanna não goza da simpatia de Paulo Bernardo, o que também acabou colocando Alvarez e Santanna em posição de divergência. Sem acesso ao ministério, a Telebrás também perdeu contato com o Palácio do Planalto. Até hoje, a estatal não foi chamada pela presidenta Dilma Rousseff para falar de sua atuação no Plano de Banda Larga. 

Conceitualmente, a mudança em curso reforça o direcionamento do Ministério das Comunicações de priorizar as negociações com a iniciativa privada para viabilizar as metas do Plano Nacional de Banda Larga. Ainda não se sabe se a determinação da presidenta Dilma Rousseff para que a Telebrás seja o veículo para a construção de uma rede de alta capacidade no Brasil, com recursos de R$ 1 bilhão ao ano até 2014, será afetada no jogo político. Alvarez vai para a Telebrás sem garantias de que os recursos serão de fato liberados.

*Matéria originalmente publicada no site Teletime

registrado em: