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Alimentos são os maiores vilões

por Redação Carta Capital — publicado 22/07/2011 10h58, última modificação 22/07/2011 11h21
Ipea aponta mudanças na balança inflacionária. Preços monitorados deixam de exercer pressão, mas alimentos se valorizam
Alimentos são os vilões

Thiago Martinez, da coordenação de regimes monetário e cambial do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), durante divulgação do comunicado que aborda o comportamento da inflação brasileira na última década. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

Um comunicado divulgado nesta quinta-feira pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) aponta uma mudança na dinâmica da inflação nos últimos anos. Antes principais fontes da pressão inflacionária, os chamados preços monitorados, que incluem gastos com energia elétrica, telefonia, transporte público e combustíveis, hoje já não têm o mesmo peso no bolso do consumidor. Em compensação, a partir de 2007, os preços dos alimentos e bebidas se tornaram os principais vilões da economia. O estudo aponta, no entanto, que desde 2004 as metas de inflação, de 4,5%, calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), são cumpridas todos os anos. As metas são um dos tripés da política macroeconômica, juntamente com o câmbio flutuante e os superávits primários na política fiscal.

A mudança na dinâmica dos preços monitorados acontece a partir da segunda metade da década, quando, lembra o Ipea, passa a haver uma maior intervenção do governo no setor, com a substituição de indexadores considerados inadequados. O estudo aponta também que, no setor de combustíveis, a Petrobras teve papel destacado ao suavizar repasses de preços internacionais do petróleo. Outro instrumento que explica a situação foi a adoção de uma alíquota variável da Cide (o imposto sobre os combustíveis) em sentido contrário às flutuações no período e a difusão do etanol como substituto da gasolina.

Por outro lado, a partir de 2007 a alta de preços de commodities intensificou-se ao mesmo tempo em que a política de acumulação de reservas dissipava parte da pressão para apreciação do câmbio.

Somando esses dois fatores, explica o Ipea, o repasse para preços internos de alimentos tornou-se mais forte. Tanto que, até 2010, a variação dos alimentos e bebidas foi superior a 10% ao ano. A exceção foi 2009, quando os preços de alimentos e bebidas cresceram em ritmo abaixo do centro da meta, em virtude da queda dos preços de commodities com a crise internacional. No ano seguinte, porém, os preços recuperaram o patamar anterior.

Ainda de acordo com os pesquisadores, os efeitos do fortalecimento do mercado interno sobre a inflação são visíveis também no setor de serviços, que têm, nos últimos anos, apresentado taxas de variação de preços acima do centro da meta, mesmo em 2009, quando a economia esteve em recessão. “Provavelmente é uma transformação decorrente da melhora na distribuição de renda e redução do desemprego, que pressionam os preços de serviços pela via de aumento de custos de mão-de-obra e pelo aumento da demanda por parte da população antes sem acesso a boa parte desses serviços”, aponta o estudo.

O canal de custos é mais visível em itens diretamente relacionados à política de valorização do salário mínimo, como serviços pessoais (empregado doméstico, cabelereiro e outros) e mão-de-obra para reparos. Nessa tendência, os alimentos e bebidas consumidos fora do domicílio também sofrem pressão.

O Ipea aponta, no entanto, que o aquecimento da economia também tem ajudado a manter os preços no centro da meta. Exemplo disso é o que ocorre com os produtos industrializados, em que a expansão da demanda e do crédito ao consumo propiciou ganhos de produtividade, especialmente na indústria automobilística – e também pela taxa de câmbio.

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