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Embate

Alckmin, Serra e o primo caipira

por Redação Carta Capital — publicado 11/03/2011 10h11, última modificação 11/03/2011 10h52
O esfacelamento da pax tucana leva à batalha dois exércitos peculiares. Os “caipiras”, liderados pelo governador Geraldo Alckmin, enfrentam os “cosmopolitas”, fiéis à figura de José Serra. Por Felipe Corazza

O esfacelamento da pax tucana em São Paulo leva à batalha dois exércitos peculiares. Os “caipiras”, liderados pelo governador Geraldo Alckmin, enfrentam os “cosmopolitas”, fiéis à figura de José Serra. Assim nomeados em documentos vazados pelo WikiLeaks sobre conversas entre o embaixador dos EUA e Cláudio Lembo, os grupos travam confronto aberto por espaço.

Na segunda-feira 28, a Folha de S.Paulo publicou reportagem sobre a venda de informações sigilosas da Secretaria de Segurança Pública do estado. O espião-camelô era Túlio Khan, chefe da Coordenadoria de Análise e Planejamento do órgão. Conduzido à secretaria ainda no mandato anterior de Geraldo Alck-min (2001-2006), Khan foi exonerado no dia em que a reportagem chegou às bancas.

O caso parecia resolvido quando surgiu um vídeo que mostra o chefe de Khan, o secretário de Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto, num encontro com Mário Cesar Carvalho, repórter da Folha que assinaria, dias depois, a reportagem. Gravadas pelas câmeras internas de um shopping no bairro paulistano de Higienópolis, as imagens mostram o secretário a entregar um envelope ao jornalista. O site que primeiro publicou o vídeo é “caipira”, tem sede no interior de São Paulo e a nota é assinada por João Alckmin, primo do governador.

O secretário reagiu à divulgação do vídeo com virulência. Em nota oficial, Ferreira Pinto acusa “grupos criminosos” de “espionar o primeiro escalão do Estado”. Mais adiante, diz que “Não há nada de suspeito na conversa” e que “o vazamento das imagens produzidas pelo circuito interno do Shopping Higienópolis constitui crime”.

O Palácio dos Bandeirantes negou qualquer parentesco entre João Alckmin e o governador. “Infelizmente”, como o próprio diz a CartaCapital, eles são primos. O radialista faz questão, no entanto, de se dizer distante do político e o chama de “picolé” – referência ao apelido “picolé de chuchu”.

CartaCapital: O senhor é ou não parente do governador Geraldo Alckmin?
João Alckmin: Infelizmente, sou. Mas não tenho relações com ele há muito tempo. Não me lembro da última vez em que falei com ele. Não tenho culpa de ser parente do “picolé”. Mas sou do ramo bom da família, do ramo de Minas Gerais.

CC: O Palácio negou o parentesco...
JA: Então, você diga para o Geraldo deixar de ser cretino. Somos descendentes de João Capistrano Alckmin.

CC: A Secretaria de Segurança Pública afirma que a divulgação do vídeo é um crime. O que tem a dizer?
JA: Crime é o secretário ir encontrar um jornalista para repassar informações sobre um caso como esse.

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